Peru vai à Corte de Haia em disputa com Chile mas diz buscar paz

sábado, 5 de janeiro de 2008 14:47 BRST
 

LIMA (Reuters) - O Peru busca o caminho da paz e não vai confrontar o Chile na Corte Internacional de Haia, disse neste sábado Allan Wagner, chefe da delegação diplomática peruana que defenderá um pedido para definir o limite marítimo entre os dois países.

O governo do presidente Alan García anunciou em dezembro a nomeação de Wagner como líder de uma equipe de juristas, historiadores e geógrafos que apresentarão um pedido, previsto para a segunda quinzena de janeiro, para esclarecer uma antiga disputa territorial com o Chile.

A fronteira marítima entre o Peru e o Chile é uma área rica em recursos pesqueiros no oceano Pacífico.

"Esse é o caminho da paz, não vamos a Haia para brigar... É o caminho da solução pacífica, naturalmente fazendo valer todos os direitos que o Peru tem na questão", disse Wagner à rádio local RPP.

O Chile defende que a fronteira marítima com o Peru foi definida em tratados assinados pelos dois países em 1952 e 1954 e em sinalizações na região em 1968 e 1969.

Mas Lima afirma que esses acordos não são formais, e sim apenas pactos pesqueiros.

"As sentenças da corte são definitivas, são inapeláveis e são de cumprimento obrigatório, porque até o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) pode tomar medidas coercitivas contra o país que decidir não pôr em prática uma sentença da corte", explicou o diplomata.

Wagner, diplomata de carreira, foi ministro das Relações Exteriores duas vezes e, entre 2004 e 2006, foi secretário-geral da Comunidade Andina (CAN), constituída por Peru, Colômbia, Bolívia e Equador.

As relações entre o Chile e o Peru passaram por diferentes momentos de tensão desde que se enfrentaram em 1879, na Guerra do Pacífico. No conflito, o Peru perdeu para o Chile parte de seu território costeiro no sul.

(Por Jean Luis Arce)