5 de Março de 2008 / às 21:21 / 9 anos atrás

ANÁLISE-O próximo presidente dos EUA vai herdar uma recessão?

Por Emily Kaiser

WASHINGTON (Reuters) - Sob a sombra de uma possível recessão, investidores e economistas tentam descobrir como os três candidatos remanescentes à presidência dos Estados Unidos poderiam enfrentar a desaceleração econômica em caso de vitória na eleição de novembro.

Se a economia norte-americana continuar em declínio, isso pode se traduzir em uma série de mudanças significativas na política econômica a partir de janeiro, quando começa o mandato do republicano John McCain ou dos democratas Hillary Clinton ou Barack Obama.

Hillary manteve viva sua candidatura na terça-feira, ao obter vitórias-chave no Texas e em Ohio. No mesmo dia, McCain arrebatou a indicação republicana.

Não importa quem vença em novembro, o comércio deve estar perto do topo na agenda econômica, e o déficit federal provavelmente irá às alturas, pelo menos até que a economia se recupere da crise imobiliária, do aperto nos padrões de crédito e do aumento dos preços de energia e alimentos.

Assuntos tratados com viés populista pelos democratas, como culpar o comércio global pelos problemas dos trabalhadores, fizeram Wall Street --apaixonado pelo livre comércio-- erguer sobrancelhas.

Eles também têm explorado o descontentamento da classe média, e isso pode definir o tom da política --particularmente se Obama ou Hillary forem bem-sucedidos e entrarem na Casa Branca com o apoio de um Congresso de maioria democrata.

Uma vitória de McCain seria mais complicada, já que ele teria que negociar com um Congresso controlado pela oposição. Ainda assim, os parlamentares mostraram recentemente que podem cooperar com uma Casa Branca republicana em meio a uma crise econômica, como foi provado pela rápida aprovação de um plano de estímulo de 168 bilhões de dólares no mês passado.

"A questão principal é como a economia estará a partir de janeiro", disse Andrew Bernard, professor de economia internacional da Tuck School of Business, da Universidade de Darmouth.

Se a economia norte-americana cair em recessão --como alguns economistas acreditam que já esteja ocorrendo--, provavelmente seria fortalecido o discurso daqueles que culpam o comércio global pela estagnação da renda dos trabalhadores e pelo fechamento de empregos na indústria.

Muitos na comunidade financeira têm uma visão diferente. Com Hillary e Obama trocando farpas sobre quem é mais severo com o comércio, há a preocupação de que um governo democrata desencoraje o fluxo de dinheiro e produtos transfronteiriço que ajudou a enriquecer as empresas norte-americanas e estrangeiras.

"Espero que muito disso (discurso sobre comércio) seja retórica, mas eu acho que há questões econômicas importantes que, se deixadas de lado, vão emergir na forma de um sentimento protecionista e antiimigratório", disse Bernard.

ANSIEDADE ECONÔMICA

O que está em discussão é o sentimento de ansiedade econômica que aflige particularmente as famílias de classe média, cuja renda ficou essencialmente estável na maior parte da década, disse William Galston, da consultoria Brookings Institution, de Washington.

"Há fatores econômicos subjacentes que estão levando o debate (sobre comércio) nessa direção", disse. "Desde que George W. Bush assumiu, os Estados Unidos perderam 20 por cento dos empregos na indústria. Qualquer explicação econômica que você queira dar... cria uma dinâmica política que torna quase impossível a continuação da atividade de modo normal."

Na campanha antes da disputa de terça-feira, Obama e Hillary prometeram renegociar o criticado Nafta (acordo de livre comércio com Canadá e México) para acrescentar proteções ambientais e trabalhistas.

Galston disse que, se Obama ou Hillary vencerem em novembro, eles provavelmente tentarão uma pausa nas negociações comerciais enquanto trabalham com o Congresso para aumentar os benefícios aos trabalhadores afetados pela globalização. O próximo passo seria provavelmente uma pressão por mais gastos em infra-estrutura, o que seria popular em estados e municípios sem dinheiro mas poderia inflacionar o déficit federal. McCain declarou que apóia o livre comércio e não vai renegociar o acordo comercial com o Canadá e o México, dizendo que essa medida abalaria as relações entre Estados Unidos e Canadá e afetaria a unidade para lutar contra o terrorismo internacional.

Uma administração de McCain provavelmente pressionaria pela renovação dos cortes de impostos aprovados pelo governo Bush --algo que recebe a oposição de Obama e Hillary. Mas Galston disse que McCain também reconhece que uma boa parte do país está em dificuldades, e ele pode estar aberto a outras idéias com o objetivo de dar mais segurança econômica à classe média.

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