April 5, 2008 / 7:14 PM / 9 years ago

Meirelles defende regime de câmbio flutuante

3 Min, DE LEITURA

Por Walter Brandimarte

MIAMI (Reuters) - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse neste sábado que o governo está comprometido com o câmbio flutuante e com a meta de inflação, mas não negou notícias de que algumas autoridades do governo teriam discutido mudanças nesses regimes.

Ele enfatizou a jornalistas em Miami, onde particpa da reunião anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento, que ter metas para inflação e câmbio ao mesmo tempo é uma tarefa "incompatível".

"Países que tentaram fazer um regime de metas de câmbio disfarçadas, não explícitas, também tiveram problemas inflacionários graves", disse Meirelles.

Questionado sobre se o governo vem debatendo mudanças nesses regimes, Meirelles respondeu: "o que eu posso dizer é que o Brasil tem um sistema de metas de inflação que tem funcionado excepcionalmente bem, haja vista o crescimento recente, a criação de empregos e a trajetória da inflação".

"Portanto, o que é importante, isso foi declarado na entrevista do ministro (da Fazenda, Guido) Mantega, é que o Brasil tem um regime de metas de inflação, está comprometido com isso, e não adotará um regime que vá comprometer o regime de metas de inflação, ponto."

Meirelles também rejeitou a idéia de que déficits em conta corrente deixem o Brasil novamente vulnerável aos choques externos.

"Para isso existe regime de câmbio flutuante e reservas elevadas. Compete ao mercado definir se existe alguma razão de desconforto e, se existir, isso será refletido nas cotações do câmbio."

O ex-presidente do BC Gustavo Franco, que também participa da reunião, disse que por enquanto os mercados não foram impactados pela volta dos déficits.

"É o câmbio que em última instância vai refazer o superávit, se o mercado achar que isso é muito preocupante. Agora, o que nós estamos vendo aqui é que o mercado não está muito preocupado com isso. O real continua muito forte e não me parece por hora que nós vamos ter alguma reversão signficativa no câmbio", disse Franco à Reuters.

Franco afirmou também que analistas que sugerem mudanças nas políticas econômicas brasileiras são economistas que "vêem fantasmas onde mais ninguém vê".

"Agora é difícil chegar para o Presidente da República (...), do alto da popularidade que ele está, tendo em vista o sucesso da política econômica ortodoxa, neoliberal -- chame do que quiser -- dizendo para ele que tem que mudar tudo."

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below