Bovespa tem maior alta desde grau de investimento

quinta-feira, 5 de junho de 2008 17:53 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - Desfeito o temor de um aperto mais forte da Selic e no embalo da potente recuperação dos preços de commodities internacionais, a Bolsa de Valores de São Paulo teve nesta quinta-feira a maior alta desde o grau de investimento concedido pela Standard & Poor's ao Brasil.

Com tudo remando a favor, o Ibovespa subiu 3,73 por cento, para 71.234 pontos, enxugando boa parte das perdas registradas nas três primeiras sessões do mês. Tal movimento, no entanto, não teve respaldo do giro financeiro, de 5,87 bilhões de reais, menor do que a média diária recente.

Os dados são preliminares, devido a problemas no sistema eletrônico da Bovespa, que atrasaram a divulgação dos dados consolidados. Desde o início do pregão, investidores já atuavam na ponta compradora, com reação moderadamente positiva ao aumento de 0,5 ponto percentual do juro básico do país, para 12,25 por cento ao ano, anunciado na quarta-feira à noite.

"Alguns investidores temiam que o Banco Central elevasse mais os juros para conter o aumento da inflação", disse Edson Junior Hydalgo, operador da corretora Cruzeiro do Sul.

Essa tendência positiva foi reforçada com a potente recuperação das ações de empresas ligadas a commodities, seguindo a tendência internacional.

O estopim foram comentários feitos pelo presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, de que o órgão poderá elevar o juro da zona do euro em julho.

Ato contínuo, a moeda européia subiu frente ao dólar. O movimento promoveu um forte ajuste do preço das commodities, sob comando do petróleo, cujo barril deu um salto de quase 5 por cento, chegando perto dos 128 dólares. Após o fechamento, o barril chegou a subir 6 dólares, a maior variação de preço em dólares já registrada, de acordo com dados da Reuters.

Na Bovespa, a reação foi imediata. As ações preferenciais da Petrobras, justamente as que comandaram a queda de 5,4 por cento do índice nas últimas três sessões, subiram 5 por cento, para 47,55 reais.

A tendência foi seguida pelos papéis preferenciais da Vale, com avanço de 4,2 por cento, cotadas a 53 reais, e pelas siderúrgicas. As líderes de ganhos entre as produtoras de aço foram as preferenciais da Gerdau, com uma disparada de 7,2 por cento, a 84 reais.

Um pregão tão positivo realçou a derrocada da Eternit, que perdeu mais de um terço do valor de mercado em apenas um dia. Suas ações ordinárias despencaram incríveis 34,5 por cento, a 6,85 reais, depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) restabeleceu a proibição da venda de produtos contendo amianto em São Paulo, uma das principais fontes de receita da companhia.