Lula diz que não vai permitir palpites sobre a Amazônia

quinta-feira, 5 de junho de 2008 14:01 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - Ao assinar o decreto de criação de três novas reservas na região amazônica para marcar o Dia Mundial do Meio Ambiente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou palpites externos na Amazônia. Ele voltou a defender a soberania brasileira na floresta.

"De vez em quando eu fico pensando que a Amazônia é que nem aquele vidro de água benta que tem na igreja. Todo mundo acha que pode meter o dedo", comparou o presidente durante solenidade no Palácio do Planalto nesta quinta-feira

"Nós não podemos permitir que as pessoas tentem ditar as regras do que a gente tem que fazer na Amazônia", completou.

O presidente também voltou a criticar "pessoas que não têm autoridade política" para opinar sobre a Amazônia. "Pessoas que desmataram o que tinham e o que não tinham. Pessoas que emitem CO2 como ninguém", reclamou.

"É importante que as pessoas, quando vêm na casa da gente, que elas peçam licença para abrir nossa geladeira", comparou.

A devastação da Amazônia tem preocupado as entidades ambientalistas. Depois de três anos consecutivos de redução do desmatamento, a taxa voltou a subir em 2007, e especialistas atribuem o avanço ao plantio de commodities, como a soja.

Nesta semana, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou que a Amazônia perdeu 1.123 quilômetros quadrados de floresta em abril, área pouco menor que a cidade do Rio de Janeiro. No mês anterior, foram 145 quilômetros. Dos Estados que compõem a região, o Mato Grosso liderou o desmatamento em abril.

Na solenidade, que teve a presença dos ministros Carlos Minc (Meio Ambiente) e Dilma Rousseff (Casa Civil), Lula assinou decretos que criam um parque nacional e duas reservas extrativistas na Amazônia num total de cerca de 2,6 milhões de hectares.

O presidente também assinou uma mensagem ao Congresso Nacional que acompanhará o projeto de lei que propõe a criação da Política Nacional sobre Mudanças do Clima.

Lula ainda relembrou seu discurso em defesa dos biocombustíveis na abertura da reunião da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) no início desta semana em Roma.

Ele defendeu uma ajuda mais próxima aos países africanos que enfrentam dificuldades com a alta nos preços dos alimentos. Lula afirmou que não adianta "dar um dinheirinho de vez em quando" às nações africanas e citou a instalação de escritórios da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) no continente africano.

 
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