Governo quer sentir impacto de novo rating antes de agir--fonte

segunda-feira, 5 de maio de 2008 12:43 BRT
 

BRASÍLIA, 5 de maio (Reuters) - O governo considera que ainda é cedo para adotar novas medidas para conter a valorização do real e entende que o momento é de avaliar o impacto sobre os fluxos de capitais externos ao país da elevação do Brasil para grau de investimento e das medidas de política industrial.

Segundo uma fonte do Palácio do Planalto, que pediu para não ser identificada, a percepção é que ainda levará algum tempo para que os investidores estrangeiros reajam plenamente à notícia do grau de investimento, concedido ao país na última quarta-feira pela agência de risco Standard & Poor's.

Também há a expectativa de que as medidas de estímulo à exportação e à produção, a serem anunciadas na próxima segunda-feira, tenham reflexos sobre o câmbio, mas elas também demandarão tempo para serem processadas pelo mercado.

"Não creio que algo seja feito antes de se ter uma avaliação do impacto dessas medidas sobre o setor produtivo nacional e sobre os fluxos de capital", afirmou a fonte.

Ele afirmou que, como acontece rotineiramente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seguirá reunindo-se semanalmente com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para ouvir suas avaliações sobre conjuntura econômica.

Nesses encontros, a expectativa é que a análise de determinados dados, como o de fluxo de recursos estrangeiros, ocorra com maior frequência para que o governo possa se antecipar com a adoção de alguma medida, caso considere necessário. Mas isso não deve acontecer de imediato.

"Seria colocar o carro em frente dos bois, primeiro é preciso ver como a economia vai, de fato, reagir", afirmou a fonte.

O ministro Mantega afirmou na última quarta-feira, após a notícia da elevação da nota do Brasil, que "no momento" o governo não estuda elevar o Imposto sobre Operações Financeiras para investidores estrangeiros em renda fixa --que passaram a ser taxados com alíquota de 1,5 por cento em março.

Mas ele acrescentou que o governo pretende "a cada momento" examinar a situação e dar a "resposta adequada".   Continuação...