É preciso avaliar entradas para debater o câmbio, diz Bernardo

segunda-feira, 5 de maio de 2008 15:54 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O governo considera que ainda é cedo para adotar novas medidas para conter a valorização do real e entende que o momento é de avaliar o impacto sobre os fluxos de capitais externos ao país da elevação do Brasil para grau de investimento e das medidas de política industrial.

Os comentários foram feitos por uma fonte do governo e depois confirmados pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, nesta segunda-feira.

"Eu não tenho nenhum conhecimento sobre esse assunto. Vamos esperar chegar o dinheiro primeiro para ver se é verdade (que o real vai subir mais). Não falamos no governo sobre isso", disse Bernardo a jornalistas quando questionado sobre medidas para o câmbio.

Mais cedo, uma fonte do Palácio do Planalto, que pediu para não ser identificada, disse que a percepção é que ainda levará algum tempo para que os investidores estrangeiros reajam plenamente à notícia do grau de investimento, concedido ao país na última quarta-feira pela agência de risco Standard & Poor's.

Também há a expectativa de que as medidas de estímulo à exportação e à produção, a serem anunciadas na próxima segunda-feira, tenham reflexos sobre o câmbio, mas elas também demandarão tempo para serem processadas pelo mercado.

"Não creio que algo seja feito antes de se ter uma avaliação do impacto dessas medidas sobre o setor produtivo nacional e sobre os fluxos de capital", afirmou a fonte.

Ele afirmou que, como acontece rotineiramente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seguirá reunindo-se semanalmente com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para ouvir suas avaliações sobre conjuntura econômica.

Nesses encontros, a expectativa é que a análise de determinados dados, como o de fluxo de recursos estrangeiros, ocorra com maior frequência para que o governo possa se antecipar com a adoção de alguma medida, caso considere necessário. Mas isso não deve acontecer de imediato.

"Seria colocar o carro em frente dos bois, primeiro é preciso ver como a economia vai, de fato, reagir", afirmou a fonte.   Continuação...