Lula quer "todos os dólares do mundo" no Brasil, sem especulação

segunda-feira, 5 de maio de 2008 20:04 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pregou uma "euforia comedida" com o grau de investimento conferido ao país semana passada pela agência de classificação de risco Standard & Poors, mas ironizou a preocupação com um possível maior ingresso de dólares no país.

Em entrevista à TV Cultura, que vai ao ar nesta segunda-feira, às 22h, Lula disse que o Brasil esperou 50 anos para receber a entrada de dólares, graças a sua estabilidade econômica, e na hora em que ganha essa credibilidade surgem os temores.

"Primeiro, eu quero que entrem todos os dólares do mundo dentro do Brasil. Segundo, eu acho que nós temos que ter mecanismos para não misturar o dólar que entra para o setor produtivo... com o dólar que vem para a especulação", disse Lula.

O presidente citou como exemplo de mecanismo de contenção do capital especulativo a taxação do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para estrangeiros em 1,5 por cento, introduzida em março.

"Se for preciso, cria-se mais. O Conselho Monetário saberá o momento adequado para discutir isso."

Nesta tarde, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse à Reuters que, neste momento, o governo não estuda uma nova elevação do IOF, afirmando que antes é preciso avaliar o efeito da alíquota imposta em março.

Segundo Lula, a política industrial que o governo lança na próxima segunda-feira trará fortes incentivos à exportação, com desonerações e estímulo à inovação tecnológica.

O presidente afirmou que o país precisa evitar o déficit em conta corrente e que a política industrial considera essa questão.

"O Brasil precisa se transformar numa plataforma de exportações de vários produtos, não apenas commodities, mas de carros, de telefone celular, de software", defendeu Lula, acrescentando que a política industrial vai contribuir para esse objetivo, fomentando e incentivando os exportadores. (Texto de Mair Pena Neto)