5 de Junho de 2008 / às 23:04 / 9 anos atrás

Candidata, Marta agora promete cortar impostos em SP

Por Carmen Munari

SÃO PAULO (Reuters) - Na primeira entrevista na capital paulista após assumir a candidatura à prefeitura, Marta Suplicy (PT) disse que estuda reduzir impostos municipais, um dos principais motivos alegados por ela para a derrota na sua tentativa de reeleição em 2004.

“Com o orçamento que a prefeitura tem hoje, duas vezes maior que o que tivemos, podemos diminuir a tributação da cidade de São Paulo”, disse Marta a jornalistas.

Sem apontar onde será a redução de impostos municipais, ela afirmou que pediu a uma equipe de sua campanha que analise o corte.

“Eu saí ontem do ministério (do Turismo), seria leviano dizer que vai ser ali ou aqui. Está em estudo”, afirmou.

Marta admitiu que uma parcela da classe média paulistana ficou “desgostosa” com impostos criados em sua gestão (2000-2004), como as taxas de luz e de lixo, e que essa desaprovação pesou em sua derrota para José Serra (PSDB), hoje governador, apesar da alta taxa de avaliação positiva dela no final da administração.

“Hoje tenho esta percepção clara”, disse ela.

Marta afirmou que durante seu mandato a situação econômica era diferente da de agora, com recessão e desemprego. A mudança de cenário, com a economia em alta, colabora para uma diminuição tributária. Ela exemplifica a melhora na situação econômica com o salto no orçamento da prefeitura que era de 8 bilhões de reais em sua gestão e passou para 20 bilhões de reis hoje.

A gestão Serra aboliu a taxa do lixo e eliminou a taxa da luz para moradores de ruas onde não há iluminação.

CHAPA PURA

Até agora, o PT não conseguiu fechar alianças para a candidatura de Marta, após perder o PMDB, PR e PTB para os adversários, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e Geraldo Alckmin (PSDB).

Marta ainda confia que conseguirá a adesão do chamado bloco de esquerda, formado por PCdoB, PSB e PDT, apesar das dificuldades que o PT vem enfrentando. Também há a possibilidade de PCdoB e PSB terem candidato próprio.

“As negociações continuam. Nenhum martelo foi batido ainda”, disse ela, referindo-se ao bloco de esquerda. O PDT, que apoiou Serra em 2004, “tem determinação maior” em apoiá-la, disse a candidata.

Ainda assim, Marta afirmou que não vê problema em uma chapa pura petista. “Quem tem 30 por cento nas pesquisas não se sente isolada nem sozinha.”

Quanto à participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha, Marta disse que ele virá a São Paulo “quantas vezes forem necessárias” e que “ele sabe a importância da cidade de São Paulo para o PT”.

Disse ainda que seus adversários não apresentaram propostas. “Até agora, não vi nenhuma proposta do Alckmin, ele ainda está brigando dentro do partido dele, e do Kassab eu também não ouvi. Espero que com o amadurecimento da campanha a gente possa discutir propostas.”

Antes da entrevista, Marta participou de almoço oferecido por empresários e dirigentes do setor de turismo.

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