CÂMBIO-Dólar sobe com aversão a risco em sessão volátil

sexta-feira, 5 de setembro de 2008 10:59 BRT
 

SÃO PAULO, 5 de setembro (Reuters) - O dólar avançava nesta sexta-feira, consolidando-se acima do patamar de 1,70 real em uma sessão volátil. A aversão a risco disparava o desmonte de posições no mercado de câmbio e sustentava o quinto dia seguido de valorização da moeda.

Às 10h54, a divisa norte-americana operava em alta de 0,76 por cento, cotada a 1,730 real.

José Roberto Carreira, gerente de câmbio da corretora Fair, atribuiu o movimento desta sexta-feira ao "mesmo quadro de ontem que ainda não se acalmou". Na véspera, o dólar subiu 2,32 por cento, maior alta percentual em um dia desde 21 de janeiro.

Carreira acrescentou que o movimento de cobertura de posição "vira aquele efeito manada. Todo mundo corre atrás comprando e não sabe nem por quê".

Nos últimos dias, os investidores estrangeiros começaram a zerar sua posição vendida no mercado de derivativos cambiais, invertendo a aposta para a alta do dólar. Enquanto na segunda-feira a posição dos investidores era vendida em 3,047 bilhões, na quinta-feira, era comprada em 1,693 bilhão.

Em um cenário de aversão a risco, as moedas emergentes estão entre as que mais sofrem. Além do real, o peso chileno, por exemplo, também apresentou forte queda na abertura da sessão, recuando mais de 1 por cento frente ao dólar.

O pessimismo é motivado pela perspectiva global de desaceleração econômica. A taxa de desemprego nos Estados Unidos, por exemplo, subiu em agosto para o maior nível desde setembro de 2003.

Na Europa, um dos principais dados da semana foi a primeira retração econômica trimestral na zona do euro desde 1995. Nesse contexto, o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco da Inglaterra mantiveram suas taxas básicas de juro em 4,25 e 5 por cento ao ano, respectivamente, apesar da pressão inflacionária.

Frente a uma cesta com as principais moedas .DXY, no entanto, o dólar apresentava queda de 0,41 por cento. Os dados sobre o desemprego nos Estados Unidos surpreenderam e inverteram o movimento da moeda norte-americana, que havia começado a sessão em alta frente ao euro.

(Reportagem de Jenifer Corrêa; Reportagem adicional de Silvio Cascione; Edição de Alberto Alerigi Jr.)