September 5, 2008 / 12:27 PM / 9 years ago

IPCA fica menor, mas analistas sugerem cautela

5 Min, DE LEITURA

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou pelo terceiro mês consecutivo em agosto, principalmente devido à melhora dos alimentos, de acordo com o IBGE.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística alertou que ainda não há evidências de uma tendência clara de continuidade do movimento de baixa por conta de incertezas sobre os preços dos alimentos, enquanto economistas chamaram a atenção para a alta de alguns preços importante, como serviços.

O IPCA subiu 0,28 por cento em agosto, ante 0,53 por cento em julho, informou nesta sexta-feira o IBGE. Foi a menor leitura desde setembro do ano passado. Analistas consultados pela Reuters esperavam alta de 0,31 por cento, de acordo com a mediana.

Segundo a economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos, "os alimentos foram o fator determinante", para o recuo do IPCA no mês.

Os alimentos caíram 0,18 por cento em agosto, melhor resultado, do ponto de vista da inflação, desde julho de 2006, depois de subirem 1,05 por cento em julho. A contribuição do grupo para a formação do IPCA foi negativa em 0,04 ponto percentual.

"Foi uma queda generalizada dos alimentos em agosto. Os alimentos subiram muito no mercado internacional, mas têm crescido menos na bolsa de mercadorias com informações de que a safra dos EUA vai ser boa", avaliou Eulina.

Também ajudou na desaceleração do índice a queda dos preços de gasolina (-0,25 por cento), ônibus interestaduais (-0,63 por cento) e remédios (-0,41 por cento), e uma menor alta do álcool combustível.

Os produtos não alimentícios impediram um recuo mais forte da inflação pelo IPCA, devido à grande concentração de impactos de produtos administrados. "Houve aumento de telefone, água e esgoto, energia elétrica que têm peso importante", ressaltou a economista do IBGE.

Demanda Preocupa

Também houve aumentos de preços de artigos de vestuário, cigarro, cabeleireiro, cursos diversos e acessórios e peças para automóveis. A maioria dessas pressões se encaixa no item serviços, que é impulsionado pela demanda.

"Foi positivo. Mas se eu fosse chamar atenção para algo negativo, seria o comportamento dos serviços. Isso é preocupante do ponto de vista do BC e tira um pouco do lado positivo do IPCA, porque reflete mais a demanda doméstica", afirmou Vladimir Caramaschi, economista-chefe do Crédit Agricole Brasil.

Assim, o dado, que segue uma série de outros indicadores de preços em arrefecimento, não muda a perspectiva para a política monetária no curto prazo.

O Comitê de Política Monetária (Copom) reúne-se para decidir a taxa de juro Selic na semana que vem.

"Continuamos com a previsão de 0,75 (ponto percentual de alta da Selic) na semana que vem. A gente ainda tem riscos, pressões de demanda... Depois desse IPCA (de agosto) mantemos a previsão de 6,1 por cento para o IPCA em 2008", afirmou Marcela Prada, economista da Tendências Consultoria.

O mercado de juros não reagiu ao tom positivo da desaceleração do índice cheio, pressionado pelas tensões nos mercados globais. Todos os contratos mais líquidos operavam em alta nesta manhã.

Ano

No ano, o IPCA acumula avanço de 4,48 por cento e nos últimos 12 meses, de 6,17 por cento. Em 12 meses, a taxa apresentou desaceleração pela primeira vez no ano (em julho, era de 6,37 por cento).

"O IPCA subia desde o início do ano e em agosto vemos um ponto de inflexão", disse Eulina.

Apesar da queda dos alimentos em agosto, no ano esses preços acumulam alta de 9,58 por cento --bem acima da variação de igual período do ano passado, de 6,73 por cento.

Reportagem de Rodrigo Viga Gaier e Vanessa Stelzer; Edição de Daniela Machado

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