IPCA fica menor, mas analistas sugerem cautela

sexta-feira, 5 de setembro de 2008 11:31 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou pelo terceiro mês consecutivo em agosto, principalmente devido à melhora dos alimentos, de acordo com o IBGE.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística alertou que ainda não há evidências de uma tendência clara de continuidade do movimento de baixa por conta de incertezas sobre os preços dos alimentos, enquanto economistas chamaram a atenção para a alta de alguns preços importante, como serviços.

O IPCA subiu 0,28 por cento em agosto, ante 0,53 por cento em julho, informou nesta sexta-feira o IBGE. Foi a menor leitura desde setembro do ano passado. Analistas consultados pela Reuters esperavam alta de 0,31 por cento, de acordo com a mediana.

Segundo a economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos, "os alimentos foram o fator determinante", para o recuo do IPCA no mês.

Os alimentos caíram 0,18 por cento em agosto, melhor resultado, do ponto de vista da inflação, desde julho de 2006, depois de subirem 1,05 por cento em julho. A contribuição do grupo para a formação do IPCA foi negativa em 0,04 ponto percentual.

"Foi uma queda generalizada dos alimentos em agosto. Os alimentos subiram muito no mercado internacional, mas têm crescido menos na bolsa de mercadorias com informações de que a safra dos EUA vai ser boa", avaliou Eulina.

Também ajudou na desaceleração do índice a queda dos preços de gasolina (-0,25 por cento), ônibus interestaduais (-0,63 por cento) e remédios (-0,41 por cento), e uma menor alta do álcool combustível.

Os produtos não alimentícios impediram um recuo mais forte da inflação pelo IPCA, devido à grande concentração de impactos de produtos administrados. "Houve aumento de telefone, água e esgoto, energia elétrica que têm peso importante", ressaltou a economista do IBGE.

DEMANDA PREOCUPA   Continuação...