Dólar acompanha preocupação externa e tem leve alta

segunda-feira, 5 de novembro de 2007 16:43 BRST
 

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar subiu pela segunda sessão consecutiva nesta segunda-feira, influenciado pela tensão no exterior com as condições do setor financeiro internacional. A alta, no entanto, foi tímida por conta da perspectiva de fluxo cambial positivo.

A moeda norte-americana subiu 0,11 por cento, para 1,750 real. Após duas sessões, o dólar acumula alta de 0,69 por cento em novembro.

O mau humor nos mercados estrangeiros atravessou o feriado de Finados. As principais bolsas de valores tiveram mais uma rodada de queda, e a aversão ao risco aumentou.

Entre as notícias negativas que dispararam o pessimismo, se destacou o abalo sentido pelo Citigroup por conta da recente crise de crédito no exterior. As perdas bilionárias com títulos de alto risco chegaram a derrubar o presidente-executivo do maior banco norte-americano.

"O momento, por todos os acontecimentos presentes, sugere observação e cautela por parte dos investidores", disse Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, em relatório. "Mas não se deve considerar que esteja havendo uma reversão" da tendência de queda da moeda norte-americana, ressalvou.

Francisco Carvalho, gerente de câmbio da corretora Liquidez, traduz essa expectativa. "A expectativa de fluxo está sendo maior do que a piora do mercado americano. Tem que piorar muito o mercado lá fora para esse dólar subir", disse.

O ingresso de recursos no país está em níveis recordes no ano --mais de 70 bihões de dólares em entrada líquida até meados de outubro. Naquele mês, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu o capital e trouxe nova enxurrada de moeda.

"Parece que a BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros) vai fazer o mesmo processo... Fatalmente a gente vai ter uma entrada grande" de dólares, afirmou Mario Battistel, gerente de câmbio da Fair Corretora.

Na última hora de negócios, o Banco Central promoveu um leilão de compra de dólares que ajudou a reforçar brevemente a alta da moeda norte-americana. Na operação, a autoridade monetária definiu taxa de corte a 1,7565 real e aceitou, segundo operadores, pelo menos duas propostas.

As compras de dólares pelo BC, que foram retomadas de forma diária há quase 1 mês, já engordam as reservas internacionais. De acordo com o último dado disponível, o país acumulava mais de 169 bilhões de dólares em 1o de novembro --nível recorde.