March 5, 2008 / 8:04 PM / 9 years ago

Novo gigante da carne nos EUA, JBS enfrentará crivo antitruste

5 Min, DE LEITURA

Por Bob Burgdorfer

CHICAGO (Reuters) - As surpreendentes aquisições do brasileiro JBS no setor de carne bovina nos Estados Unidos terão de enfrentar o órgão antitruste norte-americano, segundo analistas, embora a empresa acredite que os negócios sejam aprovados sem a necessidade de desinvestimentos.

Na terça-feira, o JBS anunciou a compra das norte-americanas National Beef e da Smithfield Foods, além da companhia australiana Tasman.

"Isso irá certamente levantar questões com o Departamento de Justiça", afirmou Jim Robb, economista do Conselho de Informação de Negócios de Pecuária, após tomar conhecimento sobre o acordo.

Sem especificar quando os negócios poderiam ser concluídos, o presidente do JBS, Joesley Batista, afirmou acreditar que a companhia não terá de dispor de seus ativos para ver aprovadas as negociações.

"Estamos confiantes que iremos ser bem-sucedidos. Não estamos pensando em desinvestimentos", declarou em uma conferência para jornalistas e analistas estrangeiros, um dia depois do negócio que surpreendeu a indústria norte-americana de carne.

Se os acordos forem aprovados, a companhia com sede em São Paulo vai se tornar a maior em carne bovina do mundo, com 32 por cento do mercado norte-americano e 10 por cento em termos globais.

A Tyson Foods é atualmente a maior em carne bovina dos Estados Unidos. A empresa estima ter cerca de 25 por cento do mercado, mas essa participação deve ter caído recentemente, com a companhia encerrando atividades em um abatedouro com capacidade para 4 mil cabeças ao dia, em Emporia, Kansas.

Quando as aquisições estiverem concluídas, o JBS espera ter receitas mundo afora de 21,55 bilhões de dólares, contra atuais 12,7 bilhões de dólares.

Jbs Quer Manter Unidades

O negócio foi anunciado em um momento no qual a indústria de carne bovina dos EUA atravessa um momento difícil, com um excesso de capacidade de processamento, exportações baixas e desaceleração econômica da economia norte-americana.

Durante a conferência, Batista afirmou que a companhia não pretende neste momento fechar nenhuma de suas unidades, para reduzir a capacidade de abate e levar a um ajuste na oferta.

No entanto, isso pode mudar mais para a frente.

"Estamos estudando o que podemos fazer para tornar a companhia o mais eficiente possível", ele afirmou. "Não vemos necessidade de reduzir turnos, mas estaremos prontos para fazer isso se for necessário para competirmos, para economizarmos recursos ou para fazermos dinheiro."

Analistas acreditam que poderia haver o fechamento de algumas unidades.

"Eu creio que eles terão que fechar uma planta ou duas para trazer a capacidade em linha com a oferta", afirmou Rich Nelson, analista de pecuária da Allendale.

Segundo Nelson, o fechamento poderia ocorrer em mais alguns anos.

AÇÕES SOBEM

Em conferência a jornalistas brasileiros, Batista falou, entretanto, que já vê as margens do setor melhorando nos EUA, depois de um período em que ficaram negativas.

"Estamos assistindo a uma importante mudança, se observarmos os preços de carne e de boi. Acreditamos muito ser possível operar com 3 por cento de margem Ebitda, achamos que o mercado dos EUA está melhorando, atingir margens de 3 por cento não é desafio para os próximos cinco anos, queremos atingir ao longo deste ano", disse Batista.

Ele lembrou que uma margem de 6,5 por cento nos EUA equivale à de 14 por cento que a empresa tem no Brasil, porque o preço do produto norte-americano é maior.

Segundo ele, o mercado dos EUA registrou uma competição "irracional" após a compra da Swift pelo JBS, em meados do ano passado. "Estava tudo preparado para sucumbir uma empresa, que era a Swift, e não para receber um player novo."

As ações de companhias como Tyson e Smithfields, além das do JBS, subiam nesta quarta-feira, depois que analistas disseram que o negócio poderia ser bom para as companhias.

Para a Tyson, o acordo significa menos companhias comprando gado, o que aumenta o poder de barganha das empresas, segundo o analista da indústria Kenneth Zaslow, da BMO Capital Markets.

Por volta das 17h, as ações da JBS subiam 7,6 por cento na Bovespa, enquanto o índice da bolsa avançava 1,6 por cento.

(Com reportagem adicional de Roberto Samora, em São Paulo)

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