5 de Dezembro de 2007 / às 09:12 / 10 anos atrás

RPT-Renan renuncia à presidência do Senado e mantém mandato

(Repete matéria publicada na noite de terça-feira)

BRASÍLIA, 5 de dezembro (Reuters) - O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) escapou na terça-feira, pela segunda vez, de ter o mandato cassado por suposta quebra de decoro parlamentar. Pouco antes, durante a sessão que analisava seu futuro político, ele renunciou à presidência do Senado.

Por 48 votos a favor do senador, 29 contra e 3 abstenções, o plenário do Senado manteve o mandato de Renan. Eram precisos 41 votos (maioria absoluta) para condená-lo.

"Agora é paz e amor", disse Renan a jornalistas após o veredicto.

A sessão de debates sobre a recomendação de cassação aprovada pelo Conselho de Ética da Casa foi aberta, mas a votação permaneceu secreta.

Renan, que fez a própria defesa no plenário, se disse inocente da acusação de que teria adquirido veículos de comunicação em Alagoas por meio de "laranjas". Afirmou que não há provas contra ele, questionou os indícios apresentados no processo e disse que o principal acusador, o usineiro alagoano João Lyra, é seu desafeto político.

"É o ódio de um adversário local cujos métodos o povo de Alagoas conhece e condena", disse. "Tudo é invencionice."

Autor do relatório aprovado pelo Conselho de Ética que propunha a cassação do mandato de Renan, o senador Jefferson Péres (PDT-AM) afirmou, quanto à alegação de falta de provas, que o processo parlamentar é diferente de um processo judicial.

Em caso de investigação por quebra de decoro, "um conjunto tão forte de indícios bem vale como uma prova", afirmou.

Aliado do peemedebista alagoado, o senador Almeida Lima (PMDB-SE) questionou na sessão as bases da recomendação de cassação.

"Onde estão as provas da quebra do decoro parlamentar?", perguntou ele, para quem a recomendação da "pena capital" baseia-se apenas em indícios.

Para o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), "a Casa resolveu pelo corporativismo. Colocando na balança uma pessoa e a instituição, sacrificaram a instituição".

"É um resultado que infelizmente já era esperado. O Senado perdeu duas oportunidades de se reaproximar da sociedade brasileira. Consolida uma imagem muito negativa do Senado", disse a jornalistas o senador Renato Casagrande (ES), líder do PSB e relator da primeira representação contra Renan no Conselho de Ética.

Para o senador Pedro Simon (PMDB-RS), Renan "vai ser sempre absolvido em um Senado com voto secreto".

No julgamento anterior, em setembro, que também absolveu Renan, o senador era acusado de usar um lobista de uma construtora para pagar pensão à mãe da filha que teve fora do casamento. Esta foi a primeira denúncia, divulgada em maio.

Há ainda mais dois processos contra ele em tramitação no Conselho de Ética, que já o absolveu de outra acusação. Uma sexta representação está parada na Mesa Diretora, que ainda não decidiu enviá-la ao conselho.

Reportagem de Isabel Versiani; Texto de Carmen Munari; Edição de Alexandre Caverni

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