5 de Março de 2008 / às 18:29 / 10 anos atrás

Mineração aquecida acirra disputa por mão-de-obra

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A falta de mão-de-obra no setor de mineração está levando empresas do mundo inteiro a cobiçar funcionários das rivais, que já enfrentam dificuldades para preencher os milhares de cargos espalhados pelas suas atividades globais.

No caso da Vale, maior produtora mundial de minério de ferro, não é diferente. Segundo o diretor Financeiro da empresa, Fábio Barbosa, o assédio pode vir por meio de anúncios em inglês na região de Carajás, no Pará, oferecendo oportunidades na Austrália --onde estão as rivais BHP e Rio Tinto -- ou via “sedução” por um cargo mais alto em outra companhia.

“O chefe das nossas operações de níquel no Canadá, o Mark Cutifani, foi convidado para posição de mais relevo”, deu como exemplo Barbosa, referindo-se ao novo presidente da sul-africana Anglo Gold, empossado no final do ano passado.

O atual presidente da LLX, empresa do empresário Eike Batista voltada para logística da área de mineração, Ricardo Antunes, também mudou de casa depois de 23 anos na Vale onde chegou a ser diretor de Novos Negócios.

No caso de funcionários menos graduados, a abordagem se dá por anúncios estratégicos nas áreas de trabalho, “uma competição cruel”, segundo o diretor. Ele vê como a melhor defesa a esses “ataques” a criação de programas de retenção de talentos, remuneração eficiente e investimento na formação de profissionais, como faz a Vale.

“É difícil manter os talentos em casa e também aumentar o número de pessoas necessárias para tocar os projetos de investimentos, mas a BHP enfrenta isso, a Rio Tinto, a Xstrata, todo mundo enfrenta isso”, explicou.

Barbosa informou que apenas este ano a Vale vai contratar 7 mil empregados.

“Quando foi privatizada, a Vale inteira tinha 15 mil, estamos contratando a metade este ano”, ressaltou.

Hoje, o quadro de pessoal da mineradora ultrapassa 124 mil pessoas no Brasil, sendo 45,6 mil em empregos diretos, e chega perto de 30 mil contratados fora do país, com metade desse total de quadro próprio e o restante de terceirizados.

SEM SINAIS DE RETRAÇÃO

A escassez de mão de obra tem afetado todas as empresas no setor, afirmou Barbosa, e reflete o aquecimento do mercado de metais, que na avaliação do diretor não dá sinais de retração.

“Não há qualquer sinal de desaceleração de preços (dos metais), o que seria um indicador de desaceleração econômica, mas não vemos isso”, afirmou.

Segundo Barbosa, a expectativa mais pessimista que ele teve acesso sobre a economia norte-americana para este ano é de crescimento nulo, “mas especilistas falam de leve alta de 0,5 a 1 por cento”, destacou. Uma retração mais forte do maior mercado consumidor poderia levar à queda de preços.

A estimativa da Vale é de que a China, maior cliente individual da companhia brasileira, continuará com demanda forte e vai ajudar a garantir o crescimento da economia global em torno dos 4 por cento.

A fatia de 49 por cento do gigante asiático no mercado de minério de ferro em 2007 deve crescer para 54 por cento em 2011, segundo projeções da Vale.

“Não há sinal no horizonte de arrefecimento da demanda (por metais) na Ásia”, garantiu. “A falta de mão-de-obra para atender esse crescimento é um desafio que nós já temos e que não pode nos impedir de avaliar alternativas estratégicas que nos criem valor”, finalizou, referindo-se a possíveis futuras aquisições ou crescimento orgânico por meio das dezenas de projetos de expansão da companhia.

A Vale está em plena negociação com os acionistas da mineradora anglo-suiça Xstrata, que tem operações espalhadas por 18 países em vários segmentos como níquel, carvão e cobre, entre outros. A companhia brasileira comprou no final de 2006 a mineradora canadense Inco.

Edição de Roberto Samora

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