Mineração aquecida acirra disputa por mão-de-obra

quarta-feira, 5 de março de 2008 16:17 BRT
 

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A falta de mão-de-obra no setor de mineração está levando empresas do mundo inteiro a cobiçar funcionários das rivais, que já enfrentam dificuldades para preencher os milhares de cargos espalhados pelas suas atividades globais.

No caso da Vale, maior produtora mundial de minério de ferro, não é diferente. Segundo o diretor Financeiro da empresa, Fábio Barbosa, o assédio pode vir por meio de anúncios em inglês na região de Carajás, no Pará, oferecendo oportunidades na Austrália --onde estão as rivais BHP e Rio Tinto -- ou via "sedução" por um cargo mais alto em outra companhia.

"O chefe das nossas operações de níquel no Canadá, o Mark Cutifani, foi convidado para posição de mais relevo", deu como exemplo Barbosa, referindo-se ao novo presidente da sul-africana Anglo Gold, empossado no final do ano passado.

O atual presidente da LLX, empresa do empresário Eike Batista voltada para logística da área de mineração, Ricardo Antunes, também mudou de casa depois de 23 anos na Vale onde chegou a ser diretor de Novos Negócios.

No caso de funcionários menos graduados, a abordagem se dá por anúncios estratégicos nas áreas de trabalho, "uma competição cruel", segundo o diretor. Ele vê como a melhor defesa a esses "ataques" a criação de programas de retenção de talentos, remuneração eficiente e investimento na formação de profissionais, como faz a Vale.

"É difícil manter os talentos em casa e também aumentar o número de pessoas necessárias para tocar os projetos de investimentos, mas a BHP enfrenta isso, a Rio Tinto, a Xstrata, todo mundo enfrenta isso", explicou.

Barbosa informou que apenas este ano a Vale vai contratar 7 mil empregados.

"Quando foi privatizada, a Vale inteira tinha 15 mil, estamos contratando a metade este ano", ressaltou.   Continuação...