Unânime, BC mantém Selic em 11,25% pela 2a reunião

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007 20:05 BRST
 

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central manteve nesta quarta-feira a taxa básica de juro em 11,25 por cento ao ano pela segunda reunião seguida, em meio a sinais de forte atividade econômica no país e incertezas no cenário externo.

A decisão, em linha com as expectativas do mercado financeiro, foi tomada de forma unânime pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Em curto comunicado, o Copom afirmou apenas ter tomado a decisão "avaliando a conjuntura macroeconômica e o cenário prospectivo para a inflação".

Todos os 20 analistas ouvidos pela Reuters na semana passada apostavam em manutenção da Selic. Na manhã desta quarta-feira, essa aposta foi reforçada por dados que mostraram forte crescimento da produção industrial em outubro e inflação acima do esperado no mês passado.

A inflação ao consumidor em São Paulo medida pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) foi de 0,47 por cento em novembro --bem acima da mediana das expectativas, de 0,29 por cento.

A produção industrial cresceu 2,8 por cento em outubro frente a setembro, a maior expansão dos últimos quatro anos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"É necessário que a autoridade monetária siga verificando o andamento da economia sem mexer na taxa de juros. Qualquer movimento agora de queda de taxa poderia gerar algum repique da inflação, o momento é de cautela", afirmou o conselheiro econômico da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Istvan Kasznar.

O Copom interrompeu, em outubro, um ciclo de dois anos de cortes do juro. A maioria dos analistas ouvidos pela Reuters espera que as reduções sejam retomadas no primeiro semestre do ano que vem.

Dois dos sete diretores do BC que votaram na decisão desta quarta-feira --Paulo Vieira da Cunha e Paulo Sérgio Cavalheiro-- deixarão a instituição nos próximos dias. Os nomes dos seus substitutos já foram aprovados pelo Senado, mas eles ainda não tomaram posse.

(Com reportagem adicional de Vanessa Stelzer)