6 de Julho de 2008 / às 15:51 / em 9 anos

Emirados Árabes cancelam quase US$7 bi da dívida iraquiana

Por Lin Noueihed

DUBAI (Reuters) - Os Emirados Árabes Unidos (EAU) cancelaram quase 7 bilhões de dólares da dívida do Iraque, incluindo juros e obrigações vencidas e não pagas, tornando-se o primeiro país árabe do Golfo a perdoar quase toda a dívida do Iraque.

Os EUA vêm pressionando os governos dos países árabes a ajudar a recuperação do Iraque, unindo-se aos países ocidentais para perdoar sua parcela da dívida externa iraquiana, que totaliza quase 80 bilhões de dólares.

Washington também pede que as capitais árabes estabeleçam representações diplomáticas de alto nível em Bagdá.

Num passo em direção à redução do isolamento diplomático de Bagdá, os EAU nomearam no domingo, durante visita do primeiro-ministro iraquiano Nuri al Maliki, seu novo embaixador no Iraque. A iniciativa se deu um mês depois de o xeque Abdullah bin Zayed al Nahayan, dos EAU, tornar-se o primeiro chanceler de país árabe do Golfo a visitar Bagdá desde a invasão liderada pelos EUA em 2003.

A agência oficial de notícias dos EAU, WAM, anunciou que a dívida principal do Iraque com o país totaliza 4 bilhões de dólares em créditos concedidos em momentos diferentes.

Uma fonte diplomática dos EAU disse à Reuters que o valor total perdoado chega a quase 7 bilhões de dólares, incluindo juros e obrigações vencidas.

“A decisão dos EAU de cancelar a dívida acumulada pelo Iraque é uma expressão de fraternidade e solidariedade entre os dois países, visando ajudar o governo iraquiano a realizar seus planos de reconstrução e reabilitação”, teria dito o presidente dos EAU, xeque Khalifah bin Zayed al Nahayan, segundo a WAM. Maliki, que deve visitar também o Barein, saudou a iniciativa, que, afirmou, vai ajudar seu governo a “restaurar a segurança e estabilidade”, livrando-se de um grande ônus financeiro.

Nos últimos três anos, cerca de 66,5 bilhões de dólares da dívida externa total iraquiana, de 120,2 bilhões, foram perdoados. O Clube de Paris cancelou 42,3 bilhões de dólares, incluindo os 12 bilhões da Rússia.

No ano passado, a Arábia Saudita comprometeu-se a cancelar 80 por cento de mais de 15 bilhões de dólares em dívida do Iraque, mas ainda não o fez. O Kuwait, ao qual o Iraque também deve 15 bilhões de dólares, ainda não perdoou nenhuma parte da dívida.

Em outros sinais da redução do isolamento diplomático do Iraque, o país aguarda visitas do rei Abdullah da Jordânia e do premiê turco Tayyip Erdogan. O rei Abdullah será o primeiro chefe de Estado árabe a visitar o país desde a invasão.

Os governos árabes sunitas, que no passado financiaram a guerra iraquiana de 1980-88 contra o Irã xiita, vêm se abstendo de estabelecer laços diplomáticos de alto nível com Bagdá desde que a guerra liderada pelos EUA derrubou Saddam Hussein, citando como justificativa o baixo nível de segurança e a ampla influência iraniana no Iraque.

Nenhum embaixador de país árabe está permanentemente em Bagdá desde que o enviado do Egito foi sequestrado e morto pouco após chegar ao Iraque, em 2005.

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