Adesão de acionista à oferta da Cosan deve ser baixa--analistas

quinta-feira, 6 de março de 2008 16:58 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A operação anunciada pela Cosan na noite de quarta-feira deve ter uma adesão relativamente baixa, avaliam analistas.

Desse modo, é improvável que a empresa deixe o Novo Mercado da Bovespa, possibilidade contemplada pelo grupo sucroalcooleiro no comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Para tanto, seria necessário o apoio de mais de dois terços dos acionistas à proposta.

A operação faz parte do processo de reestruturação societária iniciado em abril de 2007, com a constituição de uma holding com sede em Bermudas, a Cosan Limited, que controla a empresa brasileira.

Após realizar alguns ajustes societários pedidos pela CVM para evitar situações de conflito de interesse, o grupo agora quer dar prosseguimento à reestruturação.

Na documento encaminhado à CVM, o grupo propõe a troca de ações ordinárias da Cosan negociadas na bolsa paulista por Brazilian Depositary Receipts (BDRs) da Cosan Limited, listadas na Bolsa de Nova York, na proporção de uma para um.

"Se a empresa mantiver essas condições, não vai haver adesão superior a dois terços das ações da Cosan", disse Peter Ho, analista da corretora Planner.

Se houver a adesão à oferta de acionistas donos de mais de dois terços dos papéis da companhia brasileira, o volume de papéis em circulação no mercado cairá para menos de 25 por cento do capital, o mínimo exigido pelas regras do Novo Mercado.

Se isso ocorrer, o grupo informou que pretende realizar uma oferta pública de aquisição dos papéis restantes, visando à saída do Novo Mercado. Se a adesão for menor que até dois terços das ações, a Cosan fará a permuta dos papéis de quem aceitou a operação, mas manterá a companhia listada no Novo Mercado. Para analistas, essa última hipótese é a mais provável.   Continuação...