PAC alimenta expansão da indústria de equipamentos para energia

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007 19:46 BRST
 

Por Renata de Freitas

SÃO PAULO (Reuters) - A indústria de equipamentos para geração, transmissão e distribuição de energia (GTD) cresceu 18 por cento em 2007, para 10,8 bilhões de reais, reflexo de investimentos maiores em infra-estrutura, incluindo o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, segundo associação do setor.

O segmentos de transmissão e distribuição conquistaram neste ano uma fatia ligeiramente maior, chegando a 30 por cento cada, enquanto a geração ficou com 40 por cento do faturamento, informou a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), ao fazer o balanço anual.

A associação alertou que as vendas de equipamentos para geração de energia ficaram abaixo da expectativa por causa de atrasos nos leilões de novas hidrelétricas decorrentes de demora na concessão de licenças ambientais. Disputas entre interessados na construção da hidrelétrica de Santo Antônio, do rio Madeira, também levaram ao adiamento do leilão, marcado agora para a próxima segunda-feira.

Para 2008, a expectativa da Abinee é de que a geração volte a responder por 50 por cento da receita da área de GTD, enquanto transmissão e distribuição dividirão o restante. A associação projeta aumento de 8 por cento no faturamento de GTD no próximo ano, chegando a 11,6 bilhões de reais.

"A geração finalmente deve comandar o crescimento de 2008, com a efetivação dos investimentos represados", comentou o presidente da Abinee, Humberto Barbato.

LUZ PARA TODOS

O executivo, sócio da Cerâmica Santa Terezinha, que produz isoladores para empresas de distribuição de energia, apontou, no entanto, paralisação no programa de universalização "Luz para Todos", do governo federal. Segundo Barbato, neste último trimestre, as compras estão paralisadas.

Combinando esse cenário com a taxa de câmbio, que já vinha prejudicando as exportações, Barbato disse que, pela primeira vez, a empresa dele entrará em férias coletivas. De acordo com o executivo, o "Luz para Todos" responde por 50 por cento da receita da indústria brasileira de equipamentos para distribuição de energia.

O Ministério de Minas e Energia informou à Reuters que o programa não teve interrupção e que grandes distribuidoras como Cemig e Coelba estão prestes a assinar novos contratos. Segundo a assessoria do ministério, o "Luz para Todos" já atende a quase 7 milhões de residências rurais, sendo que a meta é alcançar 10 milhões até 2008.