6 de Fevereiro de 2008 / às 13:47 / 10 anos atrás

Siderúrgicas e mineradoras retomam negociações em fevereiro

Por Lucy Hornby e Nao Nakanishi

PEQUIM/HONG KONG (Reuters) - A China pode tentar frustrar a fusão de duas das suas maiores fornecedoras de minério de ferro, mas esta ação não impedirá que as siderúrgicas do país sejam atingidas por um aumento nos preços da matéria-prima no fim deste mês, quando ocorre a próxima rodada de negociação com as mineradoras.

Autoridades da indústria de aço chinesa sugeriram que podem aceitar um incremento nos preços de 30 por cento para o ano que tem início em abril. No entanto, esta alíquota pode ser ofuscada pelas cotações dos minérios no mercado à vista, atualmente equivalentes a praticamente o dobro do valor registrado em meados do ano passado.

"Acredito que um avanço de 50 a 70 por cento ainda é possível. Ainda assim seria menor do que os preços do minério (de ferro) para pronta entrega", disse um trader de Pequim que comercializa minério de ferro no mercado à vista.

Analistas que há alguns meses esperavam por um aumento modesto nos preços agora estimam um crescimento de mais de 50 por cento.

Acredita-se que as mineradoras BHP Billiton e Rio Tinto --responsáveis por cerca de 40 por cento das importações chinesas de minério de ferro -- buscarão um incremento de 70 por cento nos preços.

Na quarta-feira, a BHP formalizou uma oferta de 147 bilhões de dólares pela Rio Tinto, mas a chinesa Chinalco poderia bloquear a aquisição após ter adquirido 9 por cento da mineradora australiana em parceria com a canadense Alcoa .

NEGOCIAÇÃO EM FEVEREIRO

As siderúrgicas chinesas, representadas pela Baosteel, a maior produtora de aço do país, devem retomar as negociações sobre os preços em 2008 no final de fevereiro, após o feriado do Ano Novo Lunar iniciado na quarta-feira.

Os custos com matérias-primas --minério de ferro, carvão e coque-- exercem grande pressão sobre as siderúrgicas. A elevação dos preços em 35 por cento resultaria em um aumento de 10,6 por cento no processo de fabricação do aço, de acordo com Helen Lau, analista de metais da Daiwa.

Autoridades das mineradoras negaram que qualquer preço contratual para o minério de ferro já tivesse sido colocado na pauta de negociações.

Os preços contratados do minério de ferro praticamente dobraram nos últimos cinco anos, subindo 9,5 por cento em 2007/08, para entre 55 e 63 dólares a tonelada (FOB) para o produto australiano.

Apesar de uma provável recessão nos EUA e de problemas com o transporte na China, devido ao inverno, o Goldman Sachs JBWere Investment Research da Austrália disse que os preços contratados provavelmente cresceriam até 60 por cento, o dobro das previsões anteriores da instituição.

"Estimamos que o intervalo entre a oferta e a demanda no mercado de minério de ferro (transportado por via) marítima será expandido para cerca de 40 milhões de toneladas neste ano", disse o Goldman em um relatório, acrescentando que a procura chinesa por importações de minério de ferro cresceria mesmo com o avanço lento no setor siderúrgico.

"A oferta apertada no mercado de minério de ferro é claramente manifestada nos preços de entrega imediata nas negociações de matéria-prima para a siderurgia na Índia, com um prêmio de aproximadamente 90 por cento para adquirir minério de ferro do Brasil e de 160 por cento para contratar minério australiano", segundo o Goldman.

O inverno rigoroso na China interrompeu o fornecimento de carvão para as siderúrgicas, forçando muitas a fechar as portas.

Traders de minério de ferro na China disseram que o preço do contrato referencial de entrega imediata para o minério de ferro na Índia recuou para aproximadamente 180 dólares a tonelada, incluindo custo e frete, ante um recorde de aproximadamente 200 dólares em dezembro. Ainda assim, a cotação era bastante superior aos 100 dólares registrados em meados de 2007.

Os traders atribuíram a redução nos preços indianos à restrição do crédito em Pequim, escassez de energia e a ascensão dos custos com matérias-primas, incluindo o coque, fatores que levaram a um corte por volta de 10 por cento da capacidade siderurgia chinesa, de 500 milhões de toneladas.

As siderúrgicas chinesas dependem de contratos de longo prazo para obter mais da metade do minério de ferro consumido internamente. O preço dos contratos é estipulado no início do ano, em negociações geralmente tensas.

Duas rodadas de negociações em janeiro não foram suficientes para formalizar um acordo.

"Há muitos anos (em 2005) os compradores japoneses foram responsabilizados por aceitarem um preço alto e no ano passado os chineses levaram a culpa quando selaram o acordo, então ninguém quer ser o primeiro a acertar o preço", disse um analista de uma corretora japonesa.

As importações de minério de ferro da China cresceram 17,4 por cento, para 383 milhões de toneladas no ano passado, atendendo a cerca de metade da demanda do país. A brasileira Vale, maior produtora mundial de minério de ferro, forneceu 25 por cento deste total.

Por Chikafumi Hodo em Tóquio e Fayen Wong em Sydney

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