Brasil deve ter leve redução nas fusões e aquisições este ano

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 16:46 BRST
 

Por Wallace Nunes

SÃO PAULO (Reuters) - O movimento recorde de fusões e aquisições de 2007 no Brasil não deve se repetir em 2008 em função, principalmente, da volatilidade nos mercados internacionais por conta dos temores de uma recessão nos Estados Unidos. Mas outros fatores devem manter o setor com um ritmo forte no país.

Segundo analistas ouvidos pela Reuters, o bom caixa das empresas, o real valorizado e a continuidade da liquidez internacional, apesar da crise de crédito, vão ajudar companhias brasileiras a irem às compras.

"Se a volatilidade nos mercados globais continuar por mais seis meses, vamos sentir uma diminuição nos negócios no terceiro ou quatro trimestre deste ano. Mas, por enquanto, não há nenhum sinal de cancelamento ou mesmo paralisação do setor", disse Raul Beer, sócio da consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC).

"E não vimos mudanças porque as empresas brasileiras estão com um bom caixa em função do aumento do consumo interno e o câmbio também está ajudando", explicou o advogado Alexandre Tadeu Navarro, que já trabalhou em transações que envolveram empresas como Sadia e Arcelor Mittal.

Segundo a PwC, as empresas brasileiras participaram de 718 transações de fusões ou aquisições em 2007 no país, sendo que o setor de alimentos liderou a alta com 95 operações. O resultado total foi um crescimento de 25 por cento sobre o ano anterior e ficou acima dos números de 2000 (624 transações), recorde anterior.

Agora em janeiro, segundo dados ainda não fechados da PwC, o número de transações ficou entre 50 e 60.

MOTOR INTERNO

Em meio às incertezas internacionais, Cláudio Ramos, da KPMG, destacou a conjuntura nacional como fator propulsor das fusões e aquisições.   Continuação...