February 8, 2008 / 6:47 PM / 9 years ago

Brasil deve ter leve redução nas fusões e aquisições este ano

5 Min, DE LEITURA

Por Wallace Nunes

SÃO PAULO (Reuters) - O movimento recorde de fusões e aquisições de 2007 no Brasil não deve se repetir em 2008 em função, principalmente, da volatilidade nos mercados internacionais por conta dos temores de uma recessão nos Estados Unidos. Mas outros fatores devem manter o setor com um ritmo forte no país.

Segundo analistas ouvidos pela Reuters, o bom caixa das empresas, o real valorizado e a continuidade da liquidez internacional, apesar da crise de crédito, vão ajudar companhias brasileiras a irem às compras.

"Se a volatilidade nos mercados globais continuar por mais seis meses, vamos sentir uma diminuição nos negócios no terceiro ou quatro trimestre deste ano. Mas, por enquanto, não há nenhum sinal de cancelamento ou mesmo paralisação do setor", disse Raul Beer, sócio da consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC).

"E não vimos mudanças porque as empresas brasileiras estão com um bom caixa em função do aumento do consumo interno e o câmbio também está ajudando", explicou o advogado Alexandre Tadeu Navarro, que já trabalhou em transações que envolveram empresas como Sadia e Arcelor Mittal.

Segundo a PwC, as empresas brasileiras participaram de 718 transações de fusões ou aquisições em 2007 no país, sendo que o setor de alimentos liderou a alta com 95 operações. O resultado total foi um crescimento de 25 por cento sobre o ano anterior e ficou acima dos números de 2000 (624 transações), recorde anterior.

Agora em janeiro, segundo dados ainda não fechados da PwC, o número de transações ficou entre 50 e 60.

Motor Interno

Em meio às incertezas internacionais, Cláudio Ramos, da KPMG, destacou a conjuntura nacional como fator propulsor das fusões e aquisições.

"O aumento do consumo interno, o crescimento da massa salarial e a expansão do crédito são os motivos das empresas brasileiras para consolidarem mercados", disse Ramos.

Ele entende que o "Brasil está num ciclo anterior de fusões e aquisições em relação a outros países".

"Dados globais divulgados pela KPMG em 2007 revelaram que o setor apresentava sinais de maturação. No Brasil, no entanto, ainda não, ainda há espaço para crescimento, mas não num ritmo como o de 2007", acrescentou.

O executivo da KPMG toma como base índices que medem a capacidade de aquisição das companhias. "Observamos dois indicadores: o índice de preço/lucro (P/L) projetado em 12 meses e o nível de endividamento medido pela dívida líquida/Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações)."

Segundo ele, o P/L e sua variação entre períodos analisados apontam uma piora ou melhora na capacidade de uma empresa usar capital próprio para fazer uma aquisição.

"Quanto maior o índice ou sua variação mais aquecido fica o setor e é o que observamos no Brasil", argumentou.

De Olho No Exterior

Para Navarro, este ano será perceptível o aumento do interesse de companhias brasileiras por empresas no exterior.

"Estamos numa posição de disponibilidade financeira e de câmbio bastante positiva", disse o advogado.

Ramos, da KPMG, acredita que o excesso de liquidez nos mercados globais ajudará neste processo.

"Com a queda abrupta dos juros nos EUA, o dinheiro voltará a ficar disponível. Talvez haverá um pouco mais de rigor (nos empréstimos), mas não haverá queda de disponibilidade."

De fato, o principal destaque deste início de ano foi o anúncio pela Vale de suas intenção de adquirir a mineradora suíça Xstrata por 90 bilhões de dólares.

Em 2007, as maiores operações que envolveram grupos brasileiros foram a aquisição da siderúrgica norte-americana Chaparral Steel pela Gerdau (4,2 bilhões de dólares), a venda do Grupo Ipiranga para o consórcio Petrobras/Ultra/Braskem por 4 bilhões de dólares e a compra da Suzano Petroquímica pela Petrobras por 2,2 bilhões de reais.

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