Maioria dos governadores aceita referendo revogatório na Bolívia

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007 23:04 BRST
 

LA PAZ (Reuters) - A maioria dos governadores bolivianos aceitou na quinta-feira se submeter ao referendo revogatório de seus mandatos proposto pelo presidente Evo Morales, embora vários deles tenham imposto condições que vão contra os planos oficiais.

Quatro governadores oposicionistas e três governistas responderam afirmativamente ao desafio lançado por Morales, e outros dois, entre eles Rubén Costas, da poderosa província de Santa Cruz, não se manifestaram oficialmente sobre o tema.

Na quarta-feira, Morales propôs que ele próprio e os nove governadores do país se submetam a um referendo revogatório de seus mandatos para pôr fim às intensas disputas políticas em torno da Assembléia Constituinte do país, dominada por governistas.

"Se o povo disser 'vá embora Evo', não tenho nenhum problema, sou o mais democrata. O povo dirá quem sai e quem fica para garantir esse processo de mudança", disse o presidente ao propor o referendo.

Os governadores oposicionistas Manfred Reyes Villa, de Cochabamba; José Luis Paredes, de La Paz; Mario Cossío, de Tarija; e Leopoldo Fernández, de Pando, aplaudiram a iniciativa presidencial, mas exigiram que os trabalhos da Constituinte sejam paralisados antes do referendo.

"Não se pode realizar um referendo revogatório ao mesmo tempo em que um projeto constitucional que divide o país avança", disse Reyes Villa a um programa de rádio. Por sua vez, Cossío pediu que, antes do referendo, Morales deixe sem efeito uma recém-criada pensão para idosos que, segundo o governo, entrará em vigor em janeiro e será financiada tanto pelo governo federal quanto pelos regionais.

Os governadores de oposição consideram esse projeto um "confisco" dos recursos de suas regiões.

Os governadores governistas aceitaram as condições propostas por Morales.

(Por Carlos Alberto Quiroga)