Jaques Wagner desce do muro e apóia petista em horário eleitoral

sábado, 6 de setembro de 2008 18:03 BRT
 

SALVADOR (Reuters) - O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), participou pela primeira vez de forma voluntária do horário eleitoral gratuito em Salvador na sexta-feira, quando declarou seu apoio ao correligionário Walter Pinheiro.

Até então o governador vinha se comportando como equilibrista e com bastante discrição na campanha soteropolitana, já que três partidos de sua base aliada lançaram candidatos ao Palácio Thomé de Souza --o PSDB, com o ex-prefeito Antônio Imbassahy; o PMDB, com João Henrique, e o próprio PT.

A iniciativa de Wagner é uma clara reação do PT aos ataques do PMDB, legenda que indicou o vice-governador, ocupa duas importantes secretarias estaduais e administra 118 dos 417 municípios baianos.

O atual prefeito e candidato à reeleição João Henrique passou a semana desferindo fortes ataques pessoais ao candidato petista, a quem chama de "traidor".

No programa de sexta-feira, Wagner disse que a política baiana vive um "novo momento" de respeito e democracia, o que justificaria o fato de ele ter estado presente nas convenções dos três candidatos à prefeitura de sua base aliada.

"Agora, não podem confundir o povo. Quem quiser criticar, que critique. Mas não use a minha imagem para assinar a sua crítica", disse o governador.

"É claro que a minha identidade maior é com Walter Pinheiro, com quem, ao lado de Lula, ajudei a construir o Partido dos Trabalhadores", acrescentou.

O candidato petista disse estar satisfeito com o depoimento do governador e afirmou que não responderá diretamente aos ataques de João Henrique.

Na seqüência da aparição do governador na propaganda eleitoral, agora é aguardada a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em defesa de Pinheiro.

Aliados nos governos estadual e federal e com importantes projetos paras as eleições de 2010, o PMDB e o PT baianos iniciaram uma verdadeira guerra provincial há cerca de um ano, desde que os petistas anunciaram que deixariam a coalizão na administração de Salvador para lançar candidatura própria.

(Reportagem de Augusto Cesar Barrocas; edição de Isabel Versiani)