6 de Junho de 2008 / às 15:21 / 9 anos atrás

EMBRAER vê aéreas cortando assentos com alta do petróleo

Por Tim Hepher

PARIS (Reuters) - As companhias aéreas precisam cortar rotas não-lucrativas e aumentar preços de passagens para sobreviverem a um desastre na indústria ameaçada por preços elevados dos combustíveis, afirmou a Embraer nesta sexta-feira.

Muitas companhias aéreas tradicionais têm cortado custos diante da competição gerada por empresas de baixo custo, mas somente medidas mais duras para ampliar receitas permitirão que muitas delas sobrevivam a uma crise que pode durar cinco anos no setor de viagens aéreas, afirmou a companhia brasileira.

"Companhias aéreas fizeram um grande esforço para cortarem custos, mas muitas delas ainda não são lucrativas. Elas precisam fazer algo sobre o excesso de capacidade ou vão continuar perdendo dinheiro", disse Luiz Sergio Chiessi, vice-presidente da Embraer para inteligência de mercado, a jornalistas.

O alerta amargo contrasta com a demanda em alta por jatos executivos divulgada pela Embraer também nesta sexta-feira.

Alguns clientes abastados, que compõem a maioria dos lucros das companhias aéreas tradicionais, estão decidindo partir para jatos executivos, ao considerarem esses aviões como mais seguros e mais eficientes que esperas em aeroportos lotados.

Apesar de muitos passageiros alcançarem seus destinos reclamando sobre aviões lotados, muitas companhias aéreas somente conseguem taxas de ocupação elevadas com a venda, a grandes descontos, de assentos disponíveis.

Isso mascara um problema mais profundo da indústria de excesso de capacidade em um momento em que a economia perde força, disse Chiessi.

"Os aviões estão cheios, mas com um yield (relação entre receitas por passageiros transportados por quilômetro percorrido) fraco", disse o executivo.

E com os preços dos combustíveis em ascensão, algumas companhias aéreas precisam ampliar os yields por meio de aumento de tarifas.

O mercado mostra que uma maneira de conseguir isso é por meio da oferta de menos assentos, processo já em movimento nos Estados Unidos.

A Continental Airlines informou na quinta-feira que vai cortar 3 mil empregos, ou cerca de 6,5 por cento de sua força de trabalho, e aposentar 67 aviões mais antigos.

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