Com fitomedicamento, laboratório Aché consegue entrar nos EUA

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008 20:14 BRST
 

Por Renata de Freitas

SÃO PAULO (Reuters) - Aproveitando a receptividade do mercado internacional a produtos naturais, o laboratório brasileiro Aché passará a exportar um antiinflamatório tópico feito a partir da erva-baleeira para os Estados Unidos e Canadá.

O Acheflan, medicamento totalmente desenvolvido no Brasil, foi registrado no mercado norte-americano na categoria de "cosmético funcional", o que dispensa prescrição médica. Assim, o laboratório de Guarulhos (SP) conseguiu encurtar o caminho até o consumidor da América do Norte, sem ser obrigado a obter aprovação da Food and Drug Administration (FDA).

"As barreiras não-tarifárias nos Estados Unidos e na Europa são muito fortes. Temos que buscar caminhos alternativos", antecipou o principal executivo do Aché, José Ricardo Mendes da Silva, à Reuters.

A previsão é de exportar 100 mil unidades do Acheflan neste primeiro ano, chegando a 500 mil em 2009. O medicamento continuará a ser produzido localmente, mas poderá ser distribuído com outra marca nos EUA.

Após dois anos de negociações, a norte-americana RFI Ingredients conquistou a licença de distribuição do creme e poderá comercializar o produto com marca própria ou com a de outros pontos-de-venda de fitomedicamentos nos dois países.

"Clubes de basquete dos Estados Unidos já usam o Acheflan, não podemos perder essa oportunidade", comentou o executivo brasileiro, justificando que no mercado norte-americano é aceitável "perder" a marca Acheflan.

Mas para a Europa os planos são outros: lá, o Aché tenta formar parceria com pequenos laboratórios de forma a obter o registro na Agência Européia de Medicamentos e preservar a marca. "O processo é lento", comentou, sem antecipar candidatos potenciais.

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