6 de Setembro de 2008 / às 19:27 / 9 anos atrás

Equador ameaça suspender pagamento da dívida se petróleo cair

QUITO (Reuters) - O presidente do Equador, Rafael Correa, disse no sábado que seu governo vai suspender o pagamento da dívida caso a queda do preço do petróleo bruto desperte uma crise econômica no país produtor de petróleo.

"Se os preços do petróleo caírem, não pararíamos de gastar em projetos de irrigação, educação e saúde, mas sim pararíamos de pagar a dívida", disse Correa em seu programa de rádio semanal.

"Em caso de crise, a variável de mudança para nós não será a dívida social, não será nosso povo, mas os bolsos dos credores".

Correa, ex-professor universitário de esquerda que assumiu o poder no ano passado, tem assustado os investidores com frequência, ameaçando parar de pagar a dívida para priorizar os gastos em educação e saúde para os pobres.

Economista treinado nos Estados Unidos, Correa até agora honrou seus compromissos, mas continua deixando os detentores de bônus preocupados com ameaças de anular dívidas "ilegítimas" ou empréstimos que ele diz estarem cercados de irregularidades.

A comissão do governo que está avaliando a dívida para determinar se há "ilegitimidades" deve entregar seu relatório final a Correa na semana do dia 15 de setembro, disse um importante auditor à Reuters.

Os preços do petróleo têm caído desde que atingiram o recorde de mais de 147 dólares o barril no meio de julho, fechando na sexta-feira com uma queda de quase 2 dólares, em 106,23 dólares.

Nesta semana, o governo equatoriano apresentou um plano de orçamento de 15 bilhões de dólares para 2009, dos quais 1,63 bilhão serviriam para pagar o serviço da dívida, o que corresponde às expectativas de Wall Street.

Em anos recentes, o Equador tem gradualmente reduzido o peso da dívida no orçamento do governo. Em 2008, cerca de 16,6 por cento do orçamento do país estava reservado para quitar compromissos da dívida.

O orçamento é em grande parte financiado por receitas de petróleo e o governo estabeleceu o preço referencial de 85,40 dólares por barril para o ano que vem. Alguns economistas locais temem que as projeções otimistas possam levar a um enorme déficit, caso os preços continuem a cair.

Correa, que desde a campanha presidencialem 2006 promete colocar "a vida antes da divida", negou as acusações de ter mudado sua política em relação à dívida, ao cumprir o pagamento de seus empréstimos.

"Temos dito que pagarímos a dívida se houvesse fundos para isso e, como há fundos, estamos pagando", disse Correa.

"Se não tivermos esses fundos...suspenderemos ou limitaremos o pagamento das dívidas".

Por Alonso Soto

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