6 de Março de 2008 / às 20:59 / 9 anos atrás

Colombianos vão às ruas em ato contra violência

Por Luis Jaime Acosta

BOGOTÁ (Reuters) - Milhares de pessoas tomaram as ruas das principais cidades da Colômbia, nesta quinta-feira, em protesto contra a violência, em uma jornada em que a maioria dos participantes exigiu aos ex-comandantes paramilitares que confessem seus crimes de guerra.

Homens, mulheres e crianças, alguns vestidos de preto e com bandeiras da Colômbia, levaram em suas mãos fotografias de familiares assassinados ou desaparecidos por paramilitares de extrema direita.

A mobilização, no entanto, não teve o mesmo apoio que a de 4 de fevereiro, quando centenas de milhares de pessoas saíram às ruas contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), pedindo o fim da violência e a libertação de sequestrados.

As duas marchas, na opinião de analistas, evidenciaram a polarização que se registra no país, onde o conflito interno violento, de mais de quatro décadas, resultou na morte de milhares de pessoas.

"Desejo que alguém me diga onde está meu filho", disse Angélica Yépez, que participou do protesto e carregava a foto do filho desaparecido, segundo ela, pelas mãos de paramilitares.

Segundo o analista político e jornalista Rodrigo Pardo, a mobilização não contou com o mesmo apoio daquela realizada em fevereiro devido à atual situação do país, que enfrenta uma crise com o Equador e com a Venezuela. A crise foi detonada no fim de semana, depois de a Colômbia bombardear um acampamento das Farc em território equatoriano.

O governo do presidente Álvaro Uribe não deu o mesmo apoio a esta passeata, e alguns de seus funcionários sugeriram que estaria sendo promovida pela guerrilha de esquerda.

Em cidades como Washington, Paris e Quito também houve mobilizações.

Em algumas cidades da Colômbia, os participantes lançaram frases contra Uribe, que em meados de 2003 iniciou uma negociação de paz com os esquadrões paramilitares que permitiu que mais de 31.000 combatentes entregassem as armas, enquanto antigos comandantes desses grupos armados ilegais permanecem presos.

Mas grupos de direitos humanos questionam a negociação na qual se estabeleceu uma pena máxima de entre 5 e 8 anos de prisão para os antigos comandantes paramilitares acusados de assassinatos, massacres, sequestros, torturas e desaparecimentos.

Reportagem de Luis Jaime Acosta

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