PSDB decide votar contra CPMF mas não fecha negociação

terça-feira, 6 de novembro de 2007 17:21 BRST
 

BRASÍLIA (Reuters) - Por decisão unânime, as bancadas do PSDB na Câmara e no Senado decidiram nesta terça-feira se posicionar contra a CPMF, apesar dos entendimentos que o partido vem mantendo com o governo.

Alguns governadores foram consultados, entre eles Aécio Neves, de Minas Gerais, e concordaram com a decisão. O governador de São Paulo, José Serra, não foi localizado, segundo integrantes do partido. Outros governadores serão comunicados nos próximos dias.

Aécio e Serra têm interesse na manutenção da CPMF, por serem potenciais candidatos à Presidência em 2010, e vinham tentando influenciar os senadores.

A decisão ainda não é fechamento de questão, porque não houve reunião da Executiva do partido. No caso dos deputados, a decisão é política, uma vez que eles já rejeitaram a medida quando foi votada na Câmara.

Senadores tucanos emitiram sinais contraditórios sobre a efetividade da decisão até a votação da CPMF no Senado. Enquanto Sérgio Guerra (PE) era definitivo -- "A negociação acabou e pronto" --, o presidente do partido, Tasso Jereissati (CE), sinalizava possibilidades de entendimento com o governo.

"Não fechamos as portas à negociação desde que haja proposta de verdade", afirmou Tasso após o encontro, realizado para examinar as propostas apresentadas nesta manhã pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.

"Na semana passada, foi apresentada uma linha de desoneração, não se discutiu números. O espírito nos pareceu razoável. Só que hoje os números que nos apresentaram são inócuos", disse Tasso.

"Não há desoneração alguma de tributo, e sim mudança de pagamento. O que é a desoneração de 2 bilhões de reais contra os 40 bilhões da (arrecadação da) CPMF? Essa proposta é tão distante que não tem sentido continuar a conversar", acrescentou.

O líder do partido no Senado, Arthur Virgílio (AM), também expressou a insatisfação tucana com a proposta apresentada por Mantega.

"O governo não meteu a mão no bolso dele, continuou metendo a mão no bolso do contribuinte."

Para tentar convencer os tucanos a votar a favor da prorrogação da CPMF até 2011, o governo propôs isenção do imposto para quem ganha até 4.340 reais e um desconto fixo de 214 reais para salários maiores. Esses abatimentos representariam uma desoneração de aproximadamente 2 bilhões de reais por ano.