Crise afeta cenário de juro, câmbio e PIB, avaliam economistas

segunda-feira, 6 de outubro de 2008 17:22 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO, 6 de outubro (Reuters) - Crescimento mais moderado, real desvalorizado e juro em patamar elevado. Entre cenários pessimistas e outros menos, economistas que participaram de seminário nesta segunda-feira no Rio concordaram ao menos em uma coisa: a economia brasileira não passará incólume à maior crise financeira desde a Grande Depressão.

"Obviamente o fenômeno é global, em que pese a reação do pacote americano. Acho que caiu a ficha do mundo que a gente está se encaminhando para uma recessão de grandes proporções, por um período prolongado", afirmou o economista-chefe do Banco Santander e ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Alexandre Schwartsman, durante seminário promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Para Schwartsman, o agravamento da crise levará a uma redução dos preços das commodities, o que gera impacto imediato sobre a balança comercial brasileira. Outra consequência pode ser a continuidade do processo de aperto do juro no país para além do que já está precificado pelo mercado.

"Na margem, a perspectiva para crescimento do Brasil está ficando pior", disse o economista. "O risco é de ter mais aumento de juros. Hoje já corremos o risco de ir um pouco além de 14,75 por cento para a taxa no fim do ano, podendo se estender para o ano que vem", acrescentou.

O BC iniciou em abril o ciclo de aperto monetário. Atualmente, a Selic está em 13,75 por cento, mas analistas acreditam que a taxa deve chegar a 14,75 por cento em dezembro.

ALTO, MAS MODERADO

O economista Carlos Langoni, ex-presidente do BC, entende que apesar da turbulência, há espaço para que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza o ritmo de alta da Selic para 0,50 ponto percentual, após dois aumentos consecutivos de 0,75 ponto.   Continuação...