6 de Outubro de 2008 / às 20:24 / 9 anos atrás

Crise afeta cenário de juro, câmbio e PIB, avaliam economistas

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO, 6 de outubro (Reuters) - Crescimento mais moderado, real desvalorizado e juro em patamar elevado. Entre cenários pessimistas e outros menos, economistas que participaram de seminário nesta segunda-feira no Rio concordaram ao menos em uma coisa: a economia brasileira não passará incólume à maior crise financeira desde a Grande Depressão.

“Obviamente o fenômeno é global, em que pese a reação do pacote americano. Acho que caiu a ficha do mundo que a gente está se encaminhando para uma recessão de grandes proporções, por um período prolongado”, afirmou o economista-chefe do Banco Santander e ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Alexandre Schwartsman, durante seminário promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Para Schwartsman, o agravamento da crise levará a uma redução dos preços das commodities, o que gera impacto imediato sobre a balança comercial brasileira. Outra consequência pode ser a continuidade do processo de aperto do juro no país para além do que já está precificado pelo mercado.

“Na margem, a perspectiva para crescimento do Brasil está ficando pior”, disse o economista. “O risco é de ter mais aumento de juros. Hoje já corremos o risco de ir um pouco além de 14,75 por cento para a taxa no fim do ano, podendo se estender para o ano que vem”, acrescentou.

O BC iniciou em abril o ciclo de aperto monetário. Atualmente, a Selic está em 13,75 por cento, mas analistas acreditam que a taxa deve chegar a 14,75 por cento em dezembro.

ALTO, MAS MODERADO

O economista Carlos Langoni, ex-presidente do BC, entende que apesar da turbulência, há espaço para que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza o ritmo de alta da Selic para 0,50 ponto percentual, após dois aumentos consecutivos de 0,75 ponto.

“Será uma das reuniões mais difíceis do BC”, disse Langoni, em referência ao encontro do Copom no final do mês. “Se o BC estiver preocupado com o câmbio, pode fazer uma correção via leilões ou pode elevar os juros para conter o dólar. O BC vai ter que ponderar entre o impacto do câmbio sobre os preços e o efeito da crise mundial sobre a atividade econômica brasileira”, acrescentou.

Fábio Giambiagi, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), acredita que a queda no preço das commodities levará inevitavelmente o dólar a um novo patamar.

“Será o mesmo processo que a gente viu até agora, mas com sinal trocado”, disse.

“Ainda não captamos todas as quedas nos preços das commodities, mas isso pode acontecer”, afirmou o diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita, ao referendar a relação entre preço de commodities e câmbio.

Salomão Quadros, economista da FGV, concorda que haverá um salto cambial, porém não acredita em um novo overshoting da moeda. “Acho que o câmbio tem condições de voltar. Toda a crise leva o dólar para além do que precisa”, ponderou.

“Olhando para os fundamentos da economia, não acho que um câmbio acima de 2,10 (reais) seja sustentável. Isso tem relação com esse movimento de pânico e aversão a risco. É um movimento anormal que depois será corrigido”, afirmou Langoni.

Texto de Renato Andrade

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