Lula chama de "falso moralismo" limites da lei eleitoral

sexta-feira, 6 de junho de 2008 17:16 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou de "falso moralismo" as restrições da lei eleitoral na liberação de recursos em ano de eleições ao assinar nesta sexta-feira contratos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) com Estados.

"Você tem o dinheiro, a necessidade, você tem as pessoas que precisam e, pelo falso moralismo deste país, se parte do pressuposto que um presidente ou um governador assinar um contrato com um prefeito é beneficiar o prefeito. Ou seja, é o lado podre da hipocrisia brasileira, em que você pára um determinado tempo pela suspeição", afirmou Lula no Palácio do Planalto.

O presidente deixou claro que precisava assinar os convênios com os governadores para cumprir o prazo das regras eleitorais. Em geral, Lula viaja aos Estados para lançar as obras do PAC em cerimônias com farta presença popular e de políticos.

O governo quer evitar punições pelo não cumprimento da legislação eleitoral, que permite a execução de obras nos Estados e municípios somente até 5 de julho, quatro meses antes das eleições municipais, que se realizam em outubro.

"Este ato está sendo feito aqui hoje por uma única razão: é que no começo de julho nós não podemos mais assinar contratos porque a eleição neste país, ao invés de ser uma coisa importante para consagrar a democracia, ela faz com que quem governa fique um ano sem governar em quatro anos de mandato", criticou.

Ao reiterar que os contratos do PAC são assinados com governadores e prefeitos de todos os partidos, Lula convocou os chefes de Executivo a chancelarem as obras porque a Fazenda fica "doida" para ficar com os recursos e engordar o superávit primário.

Ele exemplificou com a verba que está disponível na Caixa Econômica Federal (CEF), de 1,5 bilhão de reais, que ficará presa se os contratos não forem assinados a tempo.

(Texto de Carmen Munari; Edição de Fabio Murakawa)