CÂMBIO-Ajuste de posição continua e dólar sobe além de R$1,58

quarta-feira, 6 de agosto de 2008 11:24 BRT
 

SÃO PAULO, 6 de agosto (Reuters) - O dólar subia pelo terceiro dia consecutivo nesta quarta-feira, com ajustes de posição levando a moeda de volta ao patamar de 1,58 real.

Às 11h19, a divisa BRBY era cotada a 1,581 real, em alta de 0,38 por cento. Na semana, a valorização do dólar já supera 1 por cento.

A alta do dólar era determinada pelo comportamento dos investidores no mercado futuro. Segundo Jorge Knauer, gerente de câmbio do Banco Prosper, no Rio de Janeiro, o mercado assiste nos últimos dias a uma redução das posições vendidas em derivativos cambiais --o que equivale, na prática, a uma aposta menor na queda do dólar ante o real.

Ele citou uma operação realizada nesta manhã por uma corretora nacional, com a compra de um lote entre 5 mil e 10 mil contratos na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o equivalente a um valor entre 250 e 500 milhões de dólares. Do final de julho até terça-feira, os estrangeiros reduziram as posições vendidas em mais de 4 bilhões de dólares.

O ajuste acompanha um movimento de valorização global do dólar. Nesta sessão, a moeda norte-americana subia 0,24 por cento ante uma cesta com as principais moedas globais .DXY. O iene, por exemplo, era cotado no menor valor em sete semanas diante da divisa norte-americana.

Para Alexandre Lintz, estrategista-chefe do BNP Paribas no Brasil, essa mudança do sentimento dos investidores sobre o dólar é um dos fatores que permitem uma correção do câmbio no curto prazo no Brasil.

A outra razão é a melhora "significativa" da inflação corrente, que vai deixar menos sustentável o tom agressivo do Banco Central em termos de alta do juro.

A recente queda dos preços das matérias-primas também tem influenciado positivamente o dólar. "O real é uma moeda ligada a commodities, e não está imune à correção aguda vista recentemente", disse Lintz em relatório.

Às 12h30, o BC divulga o fluxo de câmbio de julho. A última parcial, com dados até dia 24, revelava saída líquida de 2,411 bilhões de dólares no mês passado.

(Reportagem de Silvio Cascione; Edição de Alexandre Caverni)