ANÁLISE-Indústria sinaliza desaceleração suave e não muda BC

terça-feira, 6 de maio de 2008 15:10 BRT
 

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO (Reuters) - A atividade industrial brasileira perdeu um pouco de ritmo no primeiro trimestre, sinalizando a tendência de desaceleração sutil prevista para o ano todo.

Mas antes que o setor aponte o dedo para culpar a política monetária, analistas explicam que parte do desaquecimento tem efeito calendário e que o Banco Central será irredutível no seu combate à inflação --que visa mais do que combater a demanda por este ou aquele item, inibir repasses das commodities recordes por toda a cadeia produtiva.

Assim, continua sendo esperado um novo aumento de juro de 0,50 ponto percentual em junho, sendo que uma pequena parcela do mercado começa a falar inclusive na possibilidade de alta de 0,75 ponto.

Isso porque, embora a indústria tenha mostrado essa diminuição do ritmo, o mesmo não deve ocorrer, por enquanto, com o varejo. A desaceleração do consumo deve ocorrer mais para a frente.

"A tendência da indústria é desacelerar gradualmente, crescer menos que no ano passado, que foi um pico. Mas é uma desaceleração suave, nada drástico", disse Sergio Vale, economista da MB Associados ao comentar o dado do IBGE --que mostrou um crescimento de 6,3 por cento da produção no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período de 2007, abaixo da expansão de 7,9 por cento do quarto trimestre.

Vale lembra que o dado de abril deve vir bastante forte, já que a Páscoa neste ano caiu em março, enquanto em 2007 ocorreu em abril. Apesar disso, o segundo trimestre, assim como os próximos, tendem a ficar abaixo do patamar de 6 por cento visto nos primeiros três meses.

Aliás, o número de dias úteis em março deste ano, no caso menor, foi responsável por uma parte da desaceleração da atividade, lembra Vale.

Newton Rosa, economista-chefe do Sul América Investimento, ressaltou que mesmo os números de abril da indústria, que serão divulgados antes da próxima reunião do Comitê de Política Monetária, não serão suficientes para o Copom.   Continuação...