Em CPI, delegado defende autonomia da PF em escutas telefônicas

quarta-feira, 6 de agosto de 2008 19:33 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - Em depoimento à CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas, na Câmara, o delegado Protógenes Queiroz defendeu mais poderes para a Polícia Federal ter acesso a dados telefônicos de investigados.

Responsável pela Operação Satiagraha, em que a escuta telefônica teve papel preponderante, Protógenes disse que a PF precisa de autonomia para ter acesso a informações dos assinantes de telefones.

Hoje, é necessária autorização judicial para a escuta telefônica. A autorização é dada por 15 dias, prorrogáveis.

"A autoridade policial não tem esse poder (escutas). Deveria ter, na minha avaliação, a exemplo do que ocorre com a polícia de outros países. A demora é que permite que o 11 de Setembro possa ter acontecido. Estamos atrasados, precisamos adotar métodos mais eficazes", disse o delegado no depoimento à CPI.

Para Protógenes, a maior autonomia da PF contribuiria para a solução da crise nas cidades. "Enquanto não tivermos agilidade, a cidade do Rio de Janeiro continuará refém, a locomotiva do país, a cidade de São Paulo, será paralisada por uma organização criminosa."

Apesar de tentar evitar questões sobre a Satiagraha, o delegado confirmou que o chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, está sendo investigado. Ele aparece em gravações conversando com o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, contratado pelo banqueiro Daniel Dantas, preso na Operação Satiagraha e já liberado por decisão do Supremo Tribunal Federal.

O deputado Wanderley Macris (PSDB-SP) disse que entregará um requerimento convocando Carvalho a depor na CPI.

Além de Dantas, foram presos no início de julho o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito Celso Pitta. Protógenes deixou o caso alegando necessidade de frequentar um curso de aperfeiçoamento na Academia Nacional de Polícia, mas a versão de que foi afastado ganhou força depois de acusações de prática de excessos na investigação.

Protógenes também foi responsável pela prisão de Law Kin Chong, acusado de contrabando, e do ex-deputado Hildebrando Pascoal, líder de organização criminosa.

O delegado tentou adiar o depoimento em mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal, que negou o pedido na manhã desta quarta-feira. Antes de ingressar no STF na noite de terça-feira, Protógenes tentou também sem sucesso adiar o depoimento com os integrantes da própria CPI.

Iniciado às 14h30, o depoimento do delegado da PF ainda não terminou.