JURO-Inflação menor reduz taxas, mas projeção de Selic continua

quarta-feira, 6 de agosto de 2008 16:12 BRT
 

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO, 6 de agosto (Reuters) - A perda de fôlego da inflação abriu espaço nesta quarta-feira para a queda das projeções de juros mais negociadas na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) janeiro de 2009 recuou de 13,74 por cento para 13,72 por cento, e o DI janeiro de 2010 caiu de 14,70 por cento para 14,63 por cento.

O alívio com a inflação foi provocado pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI). Repetindo o comportamento de outros índices divulgados recentemente, o IPG-DI teve desaceleração maior do que a esperada em julho.

A alta foi de 1,12 por cento, contra avanço de 1,89 por cento no mês anterior. A mediana das previsões de analistas colocava o índice com alta de 1,31 por cento em julho.

"A partir do momento em que a gente começa a ver a inflação ficar um pouco mais comportada, o prêmio que existe na curva (de juros) começa a ser diminuído", disse Gerson de Nobrega, gerente da tesouraria do Banco Alfa de Investimento.

O movimento, no entanto, tem caráter mais técnico e não interfere por enquanto nas projeções para a política monetária. "A curva mais curta praticamente não se mexe. A gente sabe que a expectativa é de alta do juro no curto prazo", acrescentou.

Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a taxa Selic foi elevada em 0,75 ponto percentual, para 13 por cento ao ano. O mercado aposta em pelo menos mais uma alta dessa proporção.

O Banco Central realizou duas operações no começo da manhã para controlar a liquidez do sistema financeiro. Na primeira, a autoridade monetária recolheu 6,620 bilhões de reais dos bancos, até 27 de agosto, a 12,95 por cento ao ano. Na segunda, tomou 35,817 bilhões de reais, por 1 dia, a 12,93 por cento.

(Edição de Vanessa Stelzer)