Paranapanema descarta utilizar cobre da Vale vindo de Salobo

terça-feira, 6 de maio de 2008 16:12 BRT
 

Por Marcelo Teixeira

SÃO PAULO (Reuters) - A grande produção de cobre prevista pela Vale na mina de Salobo, no Pará, a partir de 2010, deverá se destinar à exportação, devido a questões tributárias que dificultam economicamente o uso da matéria-prima pela indústria local, informou a principal refinadora brasileira nesta terça-feira.

"Vai tudo para o mercado externo", disse Geraldo Ribeiro do Valle Haenel, presidente-executivo do Grupo Paranapanema, que controla a Caraíba Metais, com capacidade instalada para produzir 220 mil toneladas de catodos e vergalhões de cobre por ano a partir de concentrado.

"A Caraíba não vai poder ficar com esse produto", disse Haenel, afirmando que a falta de devolução de créditos de impostos acumulados pelas empresas nos produtos exportados dificulta a compra de matéria-prima local. A empresa importa do Chile boa parte do cobre que utiliza.

O Brasil produziu pouco mais de 200 mil toneladas de cobre concentrado em 2007, para um consumo anual de aproximadamente 330 mil toneladas.

O presidente da Paranapanema diz que o país poderia praticamente alcançar a auto-suficiência com o início da produção da Vale em Salobo, com um estágio inicial de 100 mil toneladas por ano. A capacidade total esperada para Salobo é de 400 mil toneladas de concentrado de cobre por ano.

A Associação Brasileira do Cobre (ABC), presidida por Geraldo Haenel, pede mudanças tributárias como a redução das alíquotas de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e a desoneração do IPI sobre alguns produtos, além de cobrar do governo o pagamento dos créditos acumulados.

A ABC, em conjunto com o Sindicel, sindicato que reúne as indústrias de condutores elétricos e afins, divulgou alguns números do setor nesta terça-feira.

As vendas em 2007 atingiram 7,5 bilhões de reais, com aumento de 4,1 por cento ante 2006. A capacidade instalada subiu 11 por cento, para 755 mil toneladas no ano passado. O setor espera por um aumento de 5,3 por cento no faturamento em 2008, puxado pelo setor de construção civil e de infra-estrutura.

(Edição de Denise Luna)