ANÁLISE-Alerta do IGP não contamina, agora, cenário para IPCA

quarta-feira, 7 de maio de 2008 15:39 BRT
 

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO (Reuters) - A alta acima do esperado do IGP-DI acendeu uma luz amarela que deve ficar ligada por mais alguns meses, mas o alerta pára antes do fim da cadeia produtiva, o que significa que a cautela do Banco Central sobre a inflação ao consumidor não precisa ser elevada, neste momento.

Na avaliação de economistas ouvidos pela Reuters, os produtores brasileiros parecem estar conseguindo, ao menos por ora, segurar repasses ao varejo. Além disso, a queda do dólar no país, que deve ser acentuada com o grau de investimento, ajuda a conter os preços ao consumidor.

Zeina Latif, economista do ABN Amro Real, explicou que o avanço do Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna --de 1,12 por cento em abril ante previsão do mercado de 0,83 por cento-- refletiu sobretudo um novo reajuste do minério de ferro e que isso manterá a taxa alta nos meses à frente.

"É difícil a gente enxergar um tremendo alívio dos IGPs logo, porque o minério de ferro ainda vai passar por toda a cadeia produtiva e isso dá uma resistência do índice em cair por um bom tempo. Os combustíveis também, vão aumentar e depois vão passar pela cadeia toda", afirmou ela, referindo-se a impactos indiretos dos aumentos.

"Só que isso não será transferido para os IPCs (índices de preços ao consumidor)", ressaltou ela.

Ou seja, o cenário para o dado que baliza o sistema de meta de inflação não muda, assim como as perspectivas para a Selic.

Embora alguns players apostem numa postura mais agressiva do BC, prevendo uma alta de 0,75 ponto percentual na próxima elevação da taxa básica Selic, o consenso ainda está um aumento de 0,50 ponto em junho.

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