Dilma nega dossiê e condena vazamento como nocivo à democracia

quarta-feira, 7 de maio de 2008 14:07 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, se manifestou "enfaticamente" contrária ao vazamento de gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de integrantes de seu governo, e afirmou que o procedimento não se coaduna com a democracia.

Dilma negou mais uma vez a existência de um dossiê com tais gastos e reiterou à Comissão de Infra-Estrutura do Senado, nesta quarta-feira, que o atual governo montou um banco de dados para atender necessidades do Tribunal de Contas da União (TCU).

"Consideramos que foram vazadas informações e estamos buscando (investigar) isso na comissão de sindicância e também com a Polícia Federal", afirmou aos senadores.

Dilma contou que em 2004 auditoria do TCU constatou dificuldades em obter informações sobre gastos de suprimentos de fundos e que a Casa Civil, antes mesmo de sua chegada, tomara a decisão de fazer um banco de dados para que o TCU pudesse auditá-los adequadamente.

Segundo Dilma, o TCU disse que as dificuldade foram superadas com o desenvolvimento do Suprim (Sistema de Suprimento de Fundos), que contém espelhamento dos documentos fiscais.

"Antes havia oneroso processo de levantamento de dados, que não tinham a separação de despesa por quem a fez e sim por centro de custo", disse Dilma.

Para rebater a idéia de dossiê, Dilma disse que foi comunicado ao Senado que esse banco de dados estava em andamento, após pedido de informação sobre gastos de alguns ministros feito pelo senador Artur Virgílio (PSDB-AM), em 9 de setembro de 2005.

Virgílio cobrou não ter recebido os dados que solicitou, o que no seu entender configuraria crime de responsabilidade, já que se tornaram públicos antes de chegarem a suas mãos.

Dilma respondeu que o governo priorizou os próprios dados, por exigência de fiscalização do TCU, e que posteriormente retrocedeu aos gastos do governo anterior. Segundo ela, os gastos de 1995 a 1998 ainda não foram organizados, e recentemente ficou pronta a parte do banco de dados referente a 1998 e 2002.

"Nós avisamos isso ao senhor e à CPI. Não encaminhamos mas avisamos que estava disponibilizado", disse Dilma a Virgílio.

(Texto de Mair Pena Neto; Edição de Alexandre Caverni)