Mantega: Investimento estrangeiro já reagiu a IOF maior

quarta-feira, 7 de maio de 2008 17:08 BRT
 

BRASÍLIA, 7 de maio (Reuters) - A taxação dos investimentos estrangeiros em renda fixa já resultou em uma redução "bastante sensível" dessas aplicações, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta quarta-feira.

Esse comportamento, segundo ele, reforça a avaliação do governo de que a elevação do Brasil à classificação de grau de investimento não provocará uma "invasão de capital de curto prazo".

"Haverá um aumento gradual de investimento externo, esse investimento será positivo, pois virá se somar ao investimento que já está ocorrendo hoje no Brasil, de modo a ampliar a produção nacional e, eventualmente, as exportações", disse Mantega a jornalistas na entrada do ministério.

Mantega acrescentou que essa avaliação foi feita por ele ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reunião nesta quarta-feira. Participaram também do encontro, entre outras pessoas, os presidentes do Banco Central, Henrique Meirelles, e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, além do economista Luiz Gonzaga Beluzzo.

O Brasil passou a cobrar de investidores não-residentes, em meados de março, Imposto sobre Operações Financeiras, com alíquota de 1,5 por cento, sobre os investimentos em renda fixa.

Mantega disse, ainda, que o fundo soberano brasileiro, em gestação no governo, será constituído por 10 a 20 bilhões de dólares, e sua fonte poderá ser tributária e também da aquisição pelo Tesouro Nacional de dólares no mercado local.

"O Tesouro já faz isso, o Tesouro já compra dólares, já administra a carteira de dólares, já administra a carteira de títulos, portanto está totalmente habilitado a fazer essas operações", afirmou.

"Será algo como de 10 a 20 bilhões de dólares, mas ainda não está fechado o número", disse o ministro, acrescentando que o valor deve corresponder a 5 a 10 por cento das reservas internacionais, mas frisou que as reservas não serão utilizadas.

Na reunião, também se tratou do lançamento do programa de política industrial, previsto para segunda-feira, disse o ministro.