JURO-Inflação não dá trégua e pressiona juros futuros na BM&F

quarta-feira, 7 de maio de 2008 16:15 BRT
 

SÃO PAULO, 7 de maio (Reuters) - A inflação deu mais um susto e empurrou para cima as projeções de juros na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) nesta quarta-feira.

O contrato do Depósito Interfinanceiro (DI) janeiro de 2009 subiu de 12,89 por cento para 13,00 por cento. O DI janeiro de 2010, o mais negociado <0#2DIJ:>, avançou de 13,92 por cento para 14,07 por cento.

O Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu 1,12 por cento em abril, bem acima da expectativa de 0,83 por cento de economistas ouvidos pela Reuters.

Na terça-feira, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) já havia provocado mau humor, com alta de 0,54 por cento em abril.

"A curva (de juros futuros) hoje reflete um aperto monetário bem forte", disse Vladimir Caramaschi, economista-chefe da Fator Corretora, em referência à previsão de novas altas do juro básico pelo Banco Central em resposta às pressões inflacionárias.

A expectativa do mercado agora é com a divulgação, na sexta-feira, do índice usado pelo governo como referência para o sistema de metas de inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

A alta das taxas nesta sessão também refletiu a incerteza no mercado de câmbio com possíveis medidas para conter a valorização do real. Nesta sessão, o dólar BRBY subiu 1,75 por cento --puxado também pela valorização da moeda norte-americana no exterior e pela saída pontual de recursos.

"O dólar subiu em parte por conta desses rumores, e acaba afetando um pouco o mercado de juros", disse Caramaschi.

Entre as medidas comentadas pelos agentes --mas descartada no momento pelo governo-- está o aumento da tributação do investimento estrangeiro em títulos públicos. O aumento no imposto desestimularia operações no mercado de renda fixa.

O BC fez duas operações no mercado aberto no começo da sessão. Na primeira, a autoridade monetária recolheu 20,345 bilhões de reais dos bancos, até 16 de maio, a 11,65 por cento ao ano. Na segunda, tomou 19,775 bilhões de reais, por 1 dia, a 11,63 por cento ao ano.

(Reportagem de Silvio Cascione; Edição de Vanessa Stelzer)