7 de Maio de 2008 / às 23:19 / em 9 anos

Dilma questiona a quem interessa vazamento de dados sigilosos

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Sabatinada por mais de oito horas na Comissão de Infra-Estrutura do Senado, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, negou a existência de um dossiê com gastos do governo anterior e questionou interesses por trás do vazamento das informações.

“Como dados que são privativos tiveram em determinado momento uma formatação e foram vazados? Quem vazou, como vazou e a quem interessa esse vazamento? É essa a questão”, disse Dilma, que não se furtou a responder a todas as perguntas que lhe foram feitas sobre o suposto dossiê nessa quarta-feira.

A ministra reiterou que a Casa Civil montou um banco de dados para atender necessidades do Tribunal de Contas da União e considerou “irrisório” o que foi divulgado pela imprensa.

“Não vejo sentido em transformar um banco de dados em dossiê. Temos um banco de dados com mais de 20 mil dados. Se alguém pegou parte, estruturou esses dados, não é algo pelo qual a Casa Civil merece responsabilidade. Por isso pedi apuração. É fundamental que se saiba como isso se deu”, disse Dilma.

O vazamento de informações está sendo investigado pela Polícia Federal e por comissão de sindicância da própria Casa Civil.

Dilma se manifestou “enfaticamente” contrária ao vazamento de gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de integrantes de seu governo, e afirmou que o procedimento não se coaduna com a democracia.

Segundo a ministra, os gastos da Presidência da República estão baseados em hospedagem, transporte e alimentação e são compatíveis com as necessidades dos chefes de Estado.

“Achávamos que os gastos estavam seguros, (mas) como vazou mostrou que não. Não foi só dado do ex-presidente que vazou. Recentemente, vazaram os dados de viagens presidenciais”, disse Dilma, referindo-se ao deputado Vic Pires (DEM-PA), que divulgou informações de viagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que seriam sigilosos.

SENADO SABIA

Dilma contou que em 2004 auditoria do TCU constatou dificuldades em obter informações sobre gastos de suprimentos de fundos e que a Casa Civil, antes mesmo de sua chegada, tomara a decisão de fazer um banco de dados para que o TCU pudesse auditá-los adequadamente.

Segundo Dilma, o TCU disse que as dificuldade foram superadas com o desenvolvimento do Suprim (Sistema de Suprimento de Fundos), que contém espelhamento dos documentos fiscais.

“Antes havia oneroso processo de levantamento de dados, que não tinham a separação de despesa por quem a fez e sim por centro de custo”, disse Dilma.

Para rebater a idéia de dossiê, Dilma disse que foi comunicado ao Senado que esse banco de dados estava em andamento, após pedido de informação sobre gastos de alguns ministros feito pelo senador Artur Virgílio (PSDB-AM), em 9 de setembro de 2005.

Virgílio cobrou não ter recebido os dados que solicitou, o que no seu entender configuraria crime de responsabilidade, já que se tornaram públicos antes de chegarem a suas mãos.

Dilma respondeu que o governo priorizou os próprios dados, por exigência de fiscalização do TCU, e que posteriormente retrocedeu aos gastos do governo anterior. Segundo ela, os gastos de 1995 a 1998 ainda não foram organizados, e recentemente ficou pronta a parte do banco de dados referente a 1998 e 2002.

“Nós avisamos isso ao senhor e à CPI. Não encaminhamos mas avisamos que estava disponibilizado”, disse Dilma a Virgílio.

Ao fim da sessão, o senador Marconi Perilo (PSDB-GO) convidou a ministra a comparecer à Comissão de Infra-Estrutura a cada dois meses para falar do PAC. Ela respondeu que iria com prazer.

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