Dilma questiona a quem interessa vazamento de dados sigilosos

quarta-feira, 7 de maio de 2008 20:23 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Sabatinada por mais de oito horas na Comissão de Infra-Estrutura do Senado, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, negou a existência de um dossiê com gastos do governo anterior e questionou interesses por trás do vazamento das informações.

"Como dados que são privativos tiveram em determinado momento uma formatação e foram vazados? Quem vazou, como vazou e a quem interessa esse vazamento? É essa a questão", disse Dilma, que não se furtou a responder a todas as perguntas que lhe foram feitas sobre o suposto dossiê nessa quarta-feira.

A ministra reiterou que a Casa Civil montou um banco de dados para atender necessidades do Tribunal de Contas da União e considerou "irrisório" o que foi divulgado pela imprensa.

"Não vejo sentido em transformar um banco de dados em dossiê. Temos um banco de dados com mais de 20 mil dados. Se alguém pegou parte, estruturou esses dados, não é algo pelo qual a Casa Civil merece responsabilidade. Por isso pedi apuração. É fundamental que se saiba como isso se deu", disse Dilma.

O vazamento de informações está sendo investigado pela Polícia Federal e por comissão de sindicância da própria Casa Civil.

Dilma se manifestou "enfaticamente" contrária ao vazamento de gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de integrantes de seu governo, e afirmou que o procedimento não se coaduna com a democracia.

Segundo a ministra, os gastos da Presidência da República estão baseados em hospedagem, transporte e alimentação e são compatíveis com as necessidades dos chefes de Estado.

"Achávamos que os gastos estavam seguros, (mas) como vazou mostrou que não. Não foi só dado do ex-presidente que vazou. Recentemente, vazaram os dados de viagens presidenciais", disse Dilma, referindo-se ao deputado Vic Pires (DEM-PA), que divulgou informações de viagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que seriam sigilosos.

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