PRÉVIA-Lucro da PETROBRAS sobe no 1o tri apesar de combustíveis

quarta-feira, 7 de maio de 2008 18:17 BRT
 

 Por Denise Luna 
 RIO DE JANEIRO, 7 de maio (Reuters) - O preço alto do
petróleo aliado a um ligeiro crescimento de produção devem
compensar a Petrobras pela falta de ajuste nos preços dos seus
principais produtos, diesel e gasolina, no primeiro trimestre
deste ano.
 Segundo estimativa média feita com seis analistas, o lucro
da estatal cresceu 37 por cento de janeiro a março em relação
ao mesmo período do ano passado, para 5,6 bilhões de reais
--sendo a menor previsão de 4,4 bilhões de reais e a maior de 6
bilhões de reais-- enquanto a produção da empresa evoluiu
apenas 0,9 por cento na mesma comparação.
 Em média, a Petrobras produziu 1,81 milhão de barris
diários de petróleo no Brasil, contra 1,8 milhão há um ano.
Somando toda a produção da empresa dentro e fora do país, a
alta foi de 2,1 por cento, para 2,35 milhões de barris de óleo
equivalente (petróleo e gás natural).
 A comparação com o primeiro trimestre do ano passado também
foi beneficiada porque este ano a empresa não sofreu o impacto
negativo do plano de pensão Petros, como ocorreu no primeiro
trimestre de 2007, observou o analista da corretora Ágora Luiz
Otávio Broad.
 "Está se esperando um primeiro trimestre sem nenhum custo
ou despesa não recorrente, como por exemplo ocorreu no primeiro
trimestre de 2007 e normalmente ocorre no quarto trimestre",
disse o analista.
 Para o analista Felipe Cunha, da BrascanCorretora, a
Petrobras também vai apresentar uma margem Ebitda melhor em
relação ao quarto trimestre do ano passado, quando o custo do
refino foi impactado negativamente pela parada programada da
Refinaria Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, e custos
administrativos sofreram com o ajuste salarial da categoria.
 "O resultado do primeiro trimestre deve trazer uma
recuperação dos números da companhia, o que poderá favorecer a
performance das ações da empresa", afirmou Cunha em um
relatório.
 O dólar, segundo o analista, será outro fator favorável aos
números que a estatal apresenta na próxima sexta-feira após
reunião do Conselho de Administração em Salvador (BA). Ele
calculou uma desvalorização de 2,7 por cento da moeda
norte-americana em relação ao real no primeiro trimestre, o que
deverá impactar os investimentos denominados em moeda
estrangeira da empresa menos do que em outros trimestres.
 O primeiro trimestre também é sazonalmente mais fraco para
o transporte, segundo outra analista, o que reduz o consumo de
gasolina.
 "Este ano essa sazonalidade ficou ainda mais agravada pela
queda de consumo de gasolina por causa do álcool, que
ultrapassou a gasolina no primeiro trimestre em termos de
consumo", afirmou a analista que pediu para não ser
identificada.
 Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural
e Biocombustíveis, o álcool já passou a ser mais consumido que
a gasolina no país.
 A gasolina não vendida no mercado interno é exportada pela
Petrobras, que por conta disso tem um custo maior de venda com
o combustível. Para piorar a situação, desde setembro de 2005 o
preço do produto, assim como do diesel, estava congelado.
 Em 30 de abril, a estatal aumentou a gasolina em 10 por
cento e o diesel em 15 por cento, dois meses depois do preço do
petróleo ultrapassar a barreira de 100 dólares o barril.
 Para o analista da Àgora, após o ajuste e com perspectivas
de entradas de mais plataformas em operação este ano a
expectativa é de que os resultados da Petrobras sejam ainda
melhores.
 "O segundo trimestre já tem efeito do aumento de preço, a
produção vai crescer um pouco mais e as perspectivas são de
resultados melhores para a frente", explicou Broad.


 A tabela a seguir mostra as estimativas médias de sete
analistas para os resultados trimestrais da Petrobras. Os
valores estão em bilhões de reais.
           PREVISÃO 2008     2007        2007      VARIAÇÃO
               1o TRI       4o TRI     1o TRI     ANO / ANO
 Receita líquida  45,6          45,4       38,9        17%
 Ebitda           12,6          12,0       11,0        15%
 Margem Ebitda     28%          26,4%       28%         -
 Lucro líquido     5,6           5,1        4,1        37%
  
 (Edição de Marcelo Teixeira)