JURO-Previsão de alta da Selic neste mês eleva projeções

segunda-feira, 7 de abril de 2008 16:21 BRT
 

SÃO PAULO, 7 de abril (Reuters) - A expectativa do mercado por um aumento da Selic já na próxima semana elevou as projeções de juros futuros nesta segunda-feira, apesar do dia tranquilo nos mercados internacionais.

A alta da inflação medida pelo IGP-DI em março, ainda que esperada pelo mercado, também pesou sobre o humor dos agentes.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) janeiro de 2010 <0#2DIJ:>, o mais negociado nesta sessão, subiu de 13,09 por cento para 13,18 por cento ao ano. O DI janeiro de 2009 avançou de 12,29 por cento para 12,36 por cento. O volume de negócios ficou abaixo da média dos últimos pregões.

De acordo com a pesquisa semanal do Banco Central junto ao mercado, os agentes estimam que o juro básico passe de 11,25 para 11,50 por cento na próxima reunião do Comitê de Política Monetário (Copom), no dia 16. Para o final do ano, a expectativa do mercado é de Selic a 12,50 por cento.

"O BC pode começar (o ciclo de aperto monetário) em um nível mais alto. Em vez de subir 0,25 (ponto), pode começar com 0,50. Aumentou bastante essa possibilidade", disse Carlos Cintra, gerente de renda fixa do banco Prosper, no Rio de Janeiro.

"Há uma probabilidade maior do que 50 por cento de (a alta da Selic) ser de 0,50 ponto" na próxima semana, calcula.

Além disso, a inflação pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna praticamente dobrou no mês passado, subindo de 0,38 por cento em fevereiro para 0,70 por cento.

"A pressão sobre os preços industriais no atacado está ganhando força e se tornando ampla. Em um contexto de demanda doméstica explosiva e capacidade ociosa pequena, avaliamos que a pressão desses custos deve passar para os preços ao consumidor nos próximos meses", afirmou Luis Cezario, analista do Goldman Sachs, em relatório.

O BC realizou duas operações no mercado aberto no começo da manhã. Na primeira, a autoridade monetária recolheu 12,709 bilhões de reais, até 17 de abril, com juro de 11,20 por cento ao ano. Na segunda, tomou 39,151 bilhões de reais por um dia, com remuneração de 11,19 por cento ao ano.

(Por Silvio Cascione; Edição de Daniela Machado)