Estatais levam maior parte no leilão de linhas de transmissão

quarta-feira, 7 de novembro de 2007 16:23 BRST
 

  RIO DE JANEIRO (Reuters) - Cinco dos sete
lotes das linhas de transmissão de energia elétrica vendidos
nesta quarta-feira pelo governo brasileiro foram comprados por
empresas estatais, em consórcio ou sozinhas.
 Houve deságio significativo em relação à receita anual
permitida em todos os lotes arrematados.
 O total de investimentos nas novas linhas será de 1 bilhão
de reais, e as concessões são de 30 anos. As empresas têm ainda
um prazo de 15 a 21 meses para iniciar a operação.
 Duas empresas de controle estrangeiro, a Companhia de
Transmissão de Energia Elétrica Paulista, da colombiana ISA, e
a espanhola CYMI Holding, levaram os dois lotes que não ficaram
sob controle estatal.
 Romil Rufino, diretor da Agência Nacional de Energia
Elétrica (Aneel), não acredita que tenha havido menor interesse
por parte das empresas estrangeiras, e descartou qualquer
problema em relação a isso.
 "Não tive essa percepção. Acho que o apetite das
estrangeiras está na mesma grandeza dos outros leilões, mas
talvez o apetite das nacionais tenha sido um pouco maior",
afirmou.
 "Não sei precisar porque o interesse foi eventualmente
menor. O que importa para a Aneel não é se uma empresa
nacional, estrangeira, estatal ou privada comprou. O que
importa é o resultado do leilão, que foi um sucesso".
 O deságio médio nos sete lotes arrematados ficou em 51 por
cento. Esse é o percentual médio abaixo do valor máximo
estipulado para a receita anual por meio de tarifas.
 Apesar da grande participação estatal, o presidente da
Eletrobrás, Valter Cardeal, gostou do evento.
 "Não acredito que o leilão não tenha sido um sucesso só
porque as estatais foram as maiores vencedoras. Isso é
concorrência, é competição, é o modelo de modicidade (redução)
tarifária", afirmou.
 Houve bastante interesse pelos quatro primeiros lotes
arrematados, considerados os mais atraentes, mas poucos lances
nos últimos lotes.
 Confira abaixo detalhes dos lotes arrematados:
 Lote A -- Trecho de 720 km entre Tocantins e Piauí, foi
arrematado por Companhia de Transmissão de Energia
Elétrica Paulista, controlada pela Colombiana ISA, com deságio
de 56 por cento sobre a receita anual máxima permitida.
 Lote B -- Trecho de 400 km do Piauí ao Ceará, foi
arrematado por CYMI Holding, companhia espanhola, com deságio
de 56 por cento.
 Lote C -- 402 km no Mato Grosso, arrematado pelo consórcio
Jaurú, formado por Eletronorte, Bimetal Ind. Com. e Produtos e
Terna Participações, com deságio de 53 por cento.
 Lote D -- Trecho de 233 km no Rio Grande do Sul, arrematado
por Eletrosul Centrais Elétricas S.A., com deságio de 48 por
cento.
 Lote E -- 110 km entre Sergipe e Alagoas, arrematado por
Chesf (Cia Hidroelétrica SÃo Francisco), com deságio de 40 por
cento.
 Lote F -- 29 km no Paraná, arrematado por Copel Transmissão
S.A., com deságio de 52 por cento.
 Lote G -- Trecho de 36 km no Maranhão, arrematado por
Eletronorte, com deságio de 51 por cento.