Dilma defende "persuasão política" como arma em favor da CPMF

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007 14:16 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A "persuasão política" deve ser a principal ferramenta do governo federal na campanha pela renovação da CPMF, afirmou nesta sexta-feira a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Ela evitou comentar alternativas que pudessem estar em estudo pelo governo caso a oposição consiga barrar o tributo, que representa arrecadação de cerca de 40 bilhões de reais ao ano.

"A oposição política tem que ser respeitada, isso é fundamental para a democracia... Nosso primeiro movimento é de persuasão política", afirmou a ministra a jornalistas. Mas ela cobrou responsabilidade da oposição, alertando que "o mundo passa por crise significativa", numa referência às dificuldades com crédito decorrentes da inadimplência no mercado norte-americano de hipotecas de alto risco (subprime).

Dilma disse que a classe política tem que reconhecer que o Brasil está hoje em outro patamar no cenário internacional, combinando governo e oposição responsáveis.

"O convencimento tem que ser político", declarou. Ela ponderou que o governo já melhorou a proposta de renovação da CPMF até fim de 2011. O governo propôs a redução gradual da alíquota da CPMF e isenção para trabalhadores com salários de até 2.894 reais.

Além de chamar a oposição ao compromisso, Dilma cobrou do empresariado paulista sintonia com a proposta de fortalecimento do mercado interno, considerado por ela a grande vantagem competitiva do Brasil.

"Me parece um contra-senso a Fiesp não perceber que, no Brasil, há que se fazer um grande esforço no sentido de tirar de uma situação de miséria, pobreza, exclusão um segmento importante da população", afirmou. "Votar contra a CPMF significa reduzir completamente gastos em saúde, bolsa-família e previdência", argumentou.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) posicionou-se contra a prorrogação da CPMF.

Para ser aprovada, a proposta de emenda constitucional que prorroga a CPMF precisa de apoio de 49 senadores. A votação, em primeiro turno, está marcada para terça-feira.

(Reportagem de Renata de Freitas)