Governo avalia que Dilma sai reforçada para 2010

quarta-feira, 7 de maio de 2008 20:31 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O governo avaliou como positivo o desempenho de Dilma Rousseff, em seu depoimento ao Senado nessa quarta-feira, e o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), afirmou que a ministra da Casa Civil ficou mais forte para uma eventual candidatura à Presidência da República em 2010.

"O governo gostou muito e a oposição saiu com um grande problema: a ministra Dilma se fortaleceu politicamente e mais ainda como um nome para a sucessão de 2010", disse Jucá.

Mais cedo, Jucá afirmou que a firmeza de Dilma havia enterrado o assunto do suposto dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Para o líder do governo, Dilma prestou as informações técnicas possíveis sobre o banco de dados organizado pela Casa Civil e mostrou interesse em esclarecer a questão do vazamento.

"Nem a ministra, nem o governo tem nada a esconder. Esse assunto no Senado se esgota e vamos aguardar a investigação", afirmou.

Jucá considerou que Dilma estava bem preparada para o debate e que mostrou equilíbrio emocional e político. "Ela lembrou momentos importantes de sua vida com emoção e mostrou que teve coragem para enfrentar a ditadura e agora tem coragem para ajudar o país a crescer com o PAC", disse referindo-se ao Programa de Aceleração do Crescimento, motivo da convocação da ministra à comissão do Senado.

A base governista comemorou o depoimento e a líder do PT no Senado, Ideli Salvati (SC), ironizou a oposição, dizendo que depois do desempenho da ministra apoiaria a intenção da oposição de convocá-la novamente.

O presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), afirmou que o depoimento de Dilma esgota o assunto do suposto dossiê e também brincou com a idéia de nova convocação da ministra para outra comissão da Casa.

"Só se for realmente um sujeito insaciável", disse Garibaldi.

Já a oposição se mostrou insatisfeita com o depoimento e o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), insistiu em novas convocações da ministra.

"Temos muitos esclarecimentos para cobrar. Eu não falei nem um quinto do que queria", disse Virgílio, um dos senadores que mais interpelou Dilma durante o depoimento de mais de oito horas.