Maliki ameaça proibir Sadr de participar de eleições no Iraque

segunda-feira, 7 de abril de 2008 07:41 BRT
 

Por Peter Graff

BAGDÁ (Reuters) - O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, aumentou o tom contra os seguidores do clérigo xiita Moqtada al-Sadr, ao afirmar em entrevista transmitida nesta segunda-feira que eles serão proibidos de participar das eleições caso a milícia de que participam não se dissolva.

Os comentários vieram depois de operações realizadas no domingo por forças de segurança no bairro dominado pelo clérigo em Bagdá, a favela de Sadr City, o que levou pesados combates à capital iraquiana após uma semana de relativa calma quando Sadr pediu que os membros de sua milícia deixassem as ruas.

"Uma decisão foi tomada... que eles não têm mais o direito de participar do processo político ou participar das próximas eleições a não ser que eles terminem o Exército Mehdi", disse Maliki em entrevista à CNN.

Foi a primeira vez que Maliki citou o Exército Mehdi pelo nome. Ele também determinou que o grupo se dissolva. Maliki disse que tropas do governo continuariam em Sadr City a repressão contra a milícia, lançada primeiramente na cidade de Basra, sul do país, no mês passado.

"A solução do problema só pode vir da dissolução do Exército Mehdi", disse Maliki. "Abrimos a porta para a confrontação, uma confrontação real contra essas gangues, e não pararemos até termos o controle total sobre essas áreas."

O ultimato de Maliki vem em um momento complicado, dois dias depois de Sadr convocar milhões de seguidores para irem às ruas da capital para um megaprotesto contra a presença norte-americana no Iraque e um dia antes de autoridades norte-americanas no Iraque falarem ao Congresso dos Estados Unidos.

 
<p>Homem acende velas formando a palavra Sadr na estrada durante manifesta&ccedil;&atilde;o em Bagd&aacute;. O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, agravou o tom contra os seguidores do cl&eacute;rigo xiita Moqtada al-Sadr. Photo by Kareem Raheem</p>