Despacho de térmicas puxa consumo recorde de gás em janeiro

sexta-feira, 7 de março de 2008 14:11 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O consumo de gás natural no país abriu o ano aquecido, após uma crise no final de 2007 que colocou sob suspeita a capacidade de abastecimento do mercado. Puxado pelas termelétricas, o consumo médio foi recorde em 47,5 milhões de metros cúbicos por dia, 1,81 por cento acima de dezembro.

Segundo dados divulgados na sexta-feira pela Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), o setor industrial foi o que mais demandou o combustível, somando média de 25,9 milhões de metros cúbicos por dia, alta de 3,55 por cento contra dezembro e de 10,29 por cento contra janeiro de 2007.

As termelétricas ficaram em segundo lugar mas apontaram maior crescimento, com demanda média de 12 milhões de metros cúbicos diários, ou 17,25 por cento a mais que em dezembro. Em relação a janeiro de 2007 esse consumo cresceu 131,23 por cento, puxando para cima o consumo geral, informou a Abegás.

Já os segmentos automotivos, residencial e comercial tiveram retração no consumo, de 9,7 por cento, 18 por cento e 7,1 por cento, respectivamente. O uso de gás para co-geração de energia despencou 34,3 por cento.

A região Sudeste representou 32,8 milhões do consumo total, ou 70 por cento da média nacional.

O consumo de gás natural vem apresentando crescimento de 20 por cento ao ano desde 1998, quando o país demandava 10,9 milhões de metros cúbicos diários. No ano passado, a média diária foi de 38,5 milhões de metros cúbicos.

A Abegás informou ainda que os gasodutos de distribuição no Brasil hoje somam 15.967 quilômetros de extensão e atendem a 1.361.875 clientes. Em 2003, a rede de gasodutos era de 9.356 quilômetros.

Segundo o presidente da Abegás, Armando Laudorio, apesar do fantasma da crise energética desenhada no final do ano passado não ter se concretizado, o momento seria favorável ao lançamento de uma campanha de racionalização de energia. "A racionalização do uso somada a um planejamento energético de longo prazo seriam soluções ideais para evitar situações como a ocorrida em 2007, quando foi reduzido o envio de gás para São Paulo e Rio de Janeiro", afirmou em um comunicado.

No final de outubro, a Petrobras se viu obrigada a reduzir o envio de gás natural a alguns clientes para atender às termelétricas, após determinação do Operador Nacional do Sistema (ONS) de aumentar o despacho de energia dessas usinas devido ao período mais seco no país. A estiagem reduziu o volume dos reservatórios das hidrelétricas.

Mesmo após os reservatórios se normalizarem, com as chuvas de janeiro, o ONS decidiu manter as térmicas ligadas para garantir o pleno volume dos reservatórios e assegurar o abastecimento de energia no médio prazo, o que recebeu o apoio da Abegás. (Reportagem de Denise Luna)