EUA não estão incentivando intervenção nos mercados, diz Paulson

segunda-feira, 7 de abril de 2008 20:03 BRT
 

Por David Lawder

MIAMI (Reuters) - Os Estados Unidos não estão dando o exemplo para que os governos latino-americanos interfiram nos mercados financeiros quando agiram para estabilizar o mercado de Wall Street, disse nesta segunda-feira o secretário do Tesouro norte-americano, Henry Paulson.

"A política norte-americana não é a favor de uma massiva ou mais significante intervenção governamental", disse Paulson em coletiva no encontro do Banco Inter-americano de Desenvolvimento.

Ele disse que não irá apoiar nenhuma proposta que dê um papel maior para o governo no mercado imobiliário norte-americano e disse que estas, se vierem, "farão mais mal do que bem".

Paulson declarou que a América Latina não deveria ver as recentes ações, como os empréstimos do Federal Reserve para Wall Street e as renovações das regulamentações propostas do Tesouro, como um estímulo para um maior envolvimento do governo no mercado e nem para uma maior regulamentação.

Pelo contrário, Paulson disse aos governos da América Latina que não sufoquem as inovações do setor privado nos mercados financeiros que trazem mais capital disponível para as pessoas, elevando o padrão de vida.

"Eu acho que o conselho que eu daria para você é antes de tudo, as inovações em nosso país vem sempre antes das regulamentações e isto é estrutural pois se fosse de outra maneira nosso crescimento seria bem menor", disse ele.

Paulson, no entanto, preveniu que as inovações podem criar problemas quando o desenvolvimento de complexos novos produtos foge da estrutura da regulamentação, assim como a inovação do mercado de hipoteca em anos recentes que ajudou a aumentar o número de proprietários de imóveis, mas concedeu empréstimos para aqueles quem não podiam pagá-los.

"Eu acho que estamos aprendendo com isso", disse ele.

As novas regulamentações financeiras do Tesouro, divulgadas na última semana, visam atualizar as regulamentações defasadas para ter um alcance aos novos e complexos produtos financeiros.