3G isola telecomunicações na América Latina de crise financeira

segunda-feira, 10 de março de 2008 07:28 BRT
 

Por Renata de Freitas

SÃO PAULO (Reuters) - Temores com a crise financeira internacional passam ao largo da indústria de telecomunicações na América Latina, que terá um ano marcado pela implantação de redes de terceira geração (3G) do celular, na visão da Nokia Siemens Networks (NSN), que se apresenta como fornecedora líder na região.

Mesmo a acirrada competição entre as grandes operadoras, com a inevitável prática de fortes subsídios aos aparelhos e consequente impacto sobre margem de lucro, não alimenta preocupações. Executivos da NSN vêem o setor com "extrema saúde financeira" e não têm recebido pedidos de financiamento dos contratos de 3G.

"Tudo indica que as companhias são muito bem geridas e que têm boas estratégias. Se, em um ano, elas tiverem um desempenho um pouco menor é parte dessa estratégia. Não há por que nos preocuparmos", afirmou o chefe regional da NSN na América Latina, Armando Almeida, à Reuters na sexta-feira.

"Temos visto um compromisso das operadoras de investir mais. No Brasil, acreditamos que 2008 será um ano de mais investimentos que os dois últimos", disse o executivo, que está comandando a implantação simultânea de 15 projetos independentes de 3G na América Latina. A NSN recebeu na região encomendas para 10 mil sites de redes que devem atender a 50 milhões de usuários.

Os pesados investimentos na corrida pela tecnologia que permite conexão à Internet em alta velocidade devem pressionar o resultado operacional das operadoras latino-americanas, como observou a Moody's em relatório recente.

A aposta da agência de classificação de risco é de que as operadoras atuem de forma conservadora quanto a endividamento e disponibilidade de caixa, o que deve protegê-las das condições adversas do mercado financeiro.

Segundo a Moody's, a receita do setor deve ter crescimento médio de 5 por cento em 2008 e as margens operacionais ficarão entre 20 e 40 por cento graças a políticas de redução de custos e da consolidação do mercado.

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