Inflação da baixa renda desacelera com alimentos--FGV

quinta-feira, 7 de agosto de 2008 17:25 BRT
 

RIO DE JANEIRO, 7 de agosto (Reuters) - A menor pressão dos alimentos foi a principal responsável pelo recuo da inflação da população de baixa renda no mês de julho ante junho desse ano, segundo o Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1), de acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O indicador é calculado com base nas despesas de consumo das famílias com renda de 1 a 2,5 salários mínimos mensais e que subiu 0,61 por cento em julho, ante taxa de 1,29 por cento em junho.

Segundo o economista da FGV, André Braz, 91 por cento da desaceleração da taxa do IPC-CI deveram-se ao movimento nos preços dos alimentos.

Os destaques apontados de baixa entre junho e julho foram arroz (de alta de 14,37 por cento em junho para 0,72 por cento em julho); feijão (de 15,51 para 6,01 por cento) e hortaliças e legumes (de alta de 0,96 por cento para queda de 2,41 por cento).

Para o economista, a desaceleração em julho pode marcar o iníco de um processo de arrefecimento da inflação dos mais pobres já que os alimentos dão sinais de enfraquecimento. "O IPC-CI de agosto pode ser menor do que o de julho", afirmou.

"Não é porque os preços dos alimentos estão subindo menos agora que vão continuar assim para sempre. Os níveis de estoques ainda estão apertados e a demanda continua aquecida", acrescentou Braz ao lembrar que em 12 meses (9,46 por cento) a taxa do IPC-C1 atingiu seu nível recorde.

Para o economista, itens de peso podem voltar a subir nos últimos meses do ano, como carnes bovinas e derivados de soja e de trigo. "Não estamos, definitivamente, livres de pressões nos preços dos alimentos no segundo semestre", frisou.

Ao longo de 2008, a inflação mensal medida pelo IPC-C1 sempre ficou acima da média apurada pelo IPC-BR .

O economista não descartou a possibilidade o IPC-CI pela primeira vez no ano taxa mensal abaixo da apurada pelo IPC-BR. "Mas essa hipótese é muito otimista depende de um cenário muito favorável para os alimentos no segundo semestre", concluiu.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier; Edição de Vanessa Stelzer)